O Teatro Ribeiragrandense acolhe hoje, pelas 19h00, o concerto com LINA_
e Marco Mezquida que apresentam ‘O Fado’, uma aventura musical que
oferece uma nova perspetiva sobre este património imaterial.Lina é
uma das vozes mais marcantes da música portuguesa contemporânea; Marco
Mezquida é um pianista e compositor nascido em Menorca, um dos nomes
mais promissores da musica ibérica. Este encontro entre os dois
surge, primeiro, “pelas redes sociais e poder ter esta conexão nas redes
sociais com outros artistas diferentes de todo o mundo é sempre bom
para um artista também devolver os seus gostos musicais e ter essa
vontade de fazer essas parcerias com outros músicos”, explicou Lina ao
jornal Açoriano Oriental, acrescentando que Marco Mezquida “veio a
Lisboa fazer um concerto, fui ver esse concerto. Depois conversámos
porque tínhamos trabalhado com músicos em comum e decidimos que seria
bom gravarmos um álbum em conjunto e surgiu a oportunidade”. Assim
nasceu ‘O Fado’ lançado no ano passado e que reúne “fados, algumas
músicas brasileiras, algumas músicas cantadas também em castelhano, mas
focadas, obviamente, no fado e nesta parceria que acaba por ser só de
dois músicos que se encontram e que decidem gravar um álbum sobre o fado
e sobre a música portuguesa”, revelou Lina.Já Marco Mezquida disse
ao nosso jornal que ouviu Lina cantar numa Casa de Fado há cerca de
quatro anos e ficou “maravilhado com a forma como ela canta, com a sua
presença, com a sua energia, a sua musicalidade”, sublinhando que foi
uma “experiência muito impactante, muito emocionante e queria fazer um
duo com ela e foi assim muito natural, com muito amor, com muito
respeito” que fizeram este álbum. Questionado como o som do piano se
alia à voz de Lina, Marco Mezquida começa por dizer que “faço muita
música em duo com grandes cantores da Espanha e, para mim, a grande voz
da Lina é muito inspiradora, muito emocionante, muito sensível e penso
que temos um duo muito equilibrado”.Enquanto Lina já conhece os
Açores, para Marco é uma estreia em palcos açorianos, mas as
expectativas são comuns na grande noite de será. A cantora recorda
que já veio cá muitas vezes, inclusive “tive a oportunidade de conhecer
um grande fadista e músico, embora ele se intitulasse como fadista
amador, que foi o José Pracana, a quem chamava padrinho. Conheço muito
bem a família Pracana e tenho também amigos em São Miguel”, desvendando
que “algum legado que o José Pracana me deixou também vai ser cantado
nesse mesmo concerto”. Lina confessa que as passagens por São Miguel
“inspiram-me imenso pelas suas paisagens maravilhosas, pela forma como
se sente a ilha, tão crua, o trato das pessoas, a forma como sempre fui
recebida, e claro, a Lagoa do Fogo, a Lagoa das Sete Cidades, tudo isso é
tão inspirador e é tão romântico para quem cria e para quem canta
também”. Por seu turno, o pianista está ansioso por conhecer São
Miguel, e espera que “seja uma noite muito especial e estou muito
contente por este concerto”.Saliente-se que o álbum ‘O Fado’ venceu,
na passada semana, o Prémio da Crítica Musical Alemã, sendo a terceira
vez que Lina recebe este galardão. ‘O Fado’ foi distinguido como ‘Melhor
Álbum de Música Étnica Tradicional’, com o júri a destacar o encontro
da “poesia lírica e da profundidade emocional com o brilhantismo
artístico dos intérpretes”. Felizes por este prémio, Marco Mezquida
refere é “sempre bom receber prémios, mas a maior alegria que temos é
fazer concertos, poder descobrir o mundo”.Lina afirma que “estamos
muito felizes por esse prémio, realmente o nosso projeto e ‘O Fado’ é
muito bem recebido lá fora e isso deixa-nos bastante orgulhosos”,
referindo ainda que “temos também uma agenda com concertos, mais até
fora de Portugal, mas estamos à espera também de agendar alguns
concertos em Portugal continental”.