Ligações marítimas à Terceira merecem reflexão do próximo Governo
Eleições /Açores
2 de out. de 2020, 12:58
— Lusa/AO Online
“É uma questão que tem de merecer uma reflexão
muito séria e mais profunda do próximo Governo Regional”, avançou, em
declarações à Lusa, o presidente do Conselho de Ilha da Terceira,
referindo-se ao transporte marítimo de pessoas e bens no grupo central.Segundo
Ricardo Barros, a criação da Linha Branca da Atlânticoline, que ligou
durante este verão a ilha Terceira à ilha Graciosa, demonstrou que “é
possível e desejável” ter ligações marítimas regulares em todas as ilhas
do grupo central e não apenas nas chamadas ilhas do Triângulo (São
Jorge, Pico e Faial).“Temos muito a
aprender ainda nas ligações regulares entre as ilhas do grupo central.
Não faz nenhum sentido que haja mais do que uma ligação diária entre
Faial, Pico e São Jorge e a Terceira e a Graciosa fiquem de fora. Isso é
completamente inaceitável. O grupo central só tem a ganhar no seu todo
com uma ligação regular entre todas as ilhas”, afirmou, realçando também
os benefícios destas ligações no transporte de bens transacionáveis e
no fortalecimento da economia destas ilhas.A
melhoria das acessibilidades aéreas e marítimas à ilha Terceira foi uma
das principais reivindicações do Conselho de Ilha ao longo desta
legislatura.Para o presidente do órgão
consultivo, houve uma “evolução significativa” das ligações áreas aos
Açores nos últimos 40 anos e, neste momento, a Terceira enfrenta
constrangimentos que não são exclusivos no arquipélago.“É
óbvio que nós queremos sempre mais, mas é preciso não esquecer que
depois da pandemia houve uma redução drástica a nível de voos em todo o
mundo”, frisou.Ricardo Barros, ex-deputado
à Assembleia da República, eleito pelo PS, e atual presidente da
Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, também pelo PS, não se quis
alongar em reivindicações para o próximo mandato do Governo Regional,
mas fez um balanço positivo das respostas dadas nesta legislatura.“As
questões que os conselheiros consideravam as mais importantes foram
acatadas e entendidas pelo próprio Governo, que fez o que pôde para
resolver esses problemas”, sublinhou, dando como exemplo a construção de
um terminal de cargas na Aerogare das Lajes e a requalificação do Porto
das Pipas, em Angra do Heroísmo.Quanto ao
futuro, Ricardo Barros prefere esperar pelo resultado das eleições
marcadas para 25 de outubro e pelo Plano e Orçamento que será
apresentado pelo próximo executivo.“Só
temos três reuniões anuais e uma delas era este mês. É óbvio que não faz
sentido o Conselho de Ilha reunir-se este mês quando estamos em plena
campanha e estamos em vésperas de mudança de Governo. Qualquer tipo de
reivindicação não seria a mais apropriada nesta altura”, justificou.Questionado
sobre a economia da ilha, o presidente do Conselho de Ilha defendeu que
a Terceira estava “num excelente caminho”, tanto no turismo como na
agropecuária, mas os dois setores “sofreram um golpe” com a covid-19.“Não
é muito comum em ilhas com as nossas características a montagem de
grandes unidades fabris ou de estruturas que criem grandes empregos e
contribuam para o desenvolvimento da própria ilha. Isso obviamente que é
negativo, é mau, agora, não havendo essa perspetiva, o Governo Regional
tem feito o que pode para colmatar essas brechas. Apesar de tudo somos
uma região onde os indicadores, em alguns casos, são melhores do que no
continente, noutros nem tanto, mas, em termos gerais, posso dizer que a
situação é aceitável”, apontou.Nos Açores,
todas as ilhas têm um Conselho de Ilha, um órgão consultivo, composto
por autarcas, deputados e representantes de sindicatos, associações e
instituições.As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem em 25 de outubro.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.