Liga estranha que bombeiros dos Açores não tenham sido chamados
Turquia/Sismo
13 de fev. de 2023, 08:04
— Lusa/AO Online
“Numa situação destas, os
bombeiros dos Açores deviam ser os bombeiros de primeira linha, porque
têm muita experiência na área de estruturas colapsadas e têm experiência
em lidar com situações como um sismo”, insistiu António Nunes, que
defende a necessidade de “estreitar relações” entre a Proteção Civil
nacional e regional.O responsável falava
em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião do Conselho
Executivo da Liga de Bombeiros Portugueses, que está reunida esta
sexta-feira e sábado na ilha do Faial, nos Açores.António
Nunes lembrou que os bombeiros dos Açores têm “capacidade instalada”,
“equipamentos” e “conhecimentos” para operarem num teatro de operações
como aquele que se vive na Turquia e na Síria, que foram devastados por
um terramoto de magnitude 7,8 na escala de Richter, na madrugada de
segunda-feira.“A Liga de Bombeiros Portugueses estranha muito isso! Certamente haverá uma explicação, não sei qual é, mas estranho”, afirmou.No
seu entender, é também necessário que o Estado crie uma carreira para
os bombeiros voluntários de todo o país, com respetiva tabela
remuneratória, para assegurar a resposta no socorro e auxílio às
populações.“A questão que se tem vindo a
colocar é de que esses grupos têm de ter uma carreira, têm de ter uma
tabela remuneratória, e têm de ter um estatuto, e isso é uma dificuldade
que estamos a ter a nível nacional, porque, quer o Governo da
República, quer o Governo Regional, ainda não resolveram, completamente
esta questão”, advertiu António Nunes.Na
sua opinião, esta questão impõe que haja um reforço do financiamento do
Estado aos “soldados da paz”, que deve ser assegurado, de forma
“partilhada”, entre o governo e as câmaras municipais.“É
também importante que se perceba que isso deve resultar de um
acordo-quadro, existente entre as associações e os governos regional e
nacional, e as câmaras municipais, para que tudo fique claro”, sublinhou
o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses.Já
José Braia Ferreira, presidente da Federação de Bombeiros dos Açores,
lamentou o “brutal e repentino” impacto que a nova tabela remuneratória
dos “soldados da paz”, aprovada no parlamento açoriano por proposta do
PAN, acabou por ter nas contas das associações de bombeiros voluntários
da região.“Aguardamos a criação de um
mecanismo jurídico e financeiro que permita ao Governo Regional dos
Açores injetar nas associações de bombeiros voluntários, a verba
correspondente ao aumento salarial”, insistiu o presidente da Federação
de Bombeiros dos Açores, recordando que, além de um aumento de 8%
decorrente do acréscimo ao salário mínimo regional, é também necessário
pagar mais 8% de aumento, resultante da proposta do partido das Pessoas,
Animais e Natureza.Nesse sentido, Braia
Ferreira adiantou que já deu instruções às associações de bombeiros da
região para que “não paguem” esses aumentos salariais, sob pena de
poderem provocar a “falência das instituições”.