Liga de clubes pede que desporto seja integrado no plano de revitalização económica
18 de dez. de 2020, 12:09
— Lusa/AO Online
De
acordo com os resultados do inquérito da LPFP às sociedades desportivas
das duas ligas profissionais, "as receitas, que se cifravam nos 858,3ME,
poderão oscilar entre os 581,4ME (caso não se mantenham as verbas dos
direitos televisivos e comerciais) e os 496ME, implicando perdas
significativas, entre 276ME a 362ME no setor"."Por
isso, dizemos que o desporto não pode ficar fora do plano de
revitalização económica, que vai abranger vários países europeus.
Falamos de vários impactos, mas o 'cash flow' de tesouraria dos clubes é
um tema a ter em causa, já que, caso as sociedades desportivas não
venham a receber uma injeção de dinheiro de forma célere, podem ter
graves impactos de tesouraria, o que leva, por exemplo, ao aumento de
dividas financeiras e deterioração dos seus balanços", referiu Pedro
Proença.Para o presidente da LPFP, "no
caso concreto do futebol, este défice poderá comprometer a formação, que
é o mesmo que dizer que o futuro do futebol profissional português pode
estar em causa"."Pedimos atenção máxima
ao poder político para o facto da continuidade na criação de talento,
que tem sido uma das nossas bandeiras, poder ser hipotecada, dada a
ausência de apoios ao desporto, que tem também uma forte importância
social", disse o líder da LPFP.Proença
considera que o inquérito "revela dados que são pouco confortáveis e
nada animadores para o futebol profissional", revelando que será
partilhado com a secretaria de Estado da Juventude e Desporto, com o
ministério da Economia, com a Agência para o Investimento e Comércio
Externo de Portugal (AICEP) e com a Confederação Empresarial de Portugal
(CIP).Comparando com a temporada 2018/19,
do lado das receitas verificou-se que o impacto foi de uma perda de
100% na bilhética, de 80% em quotas associativas e de 70% em receitas de
merchandising, refere o estudo.A Liga de
clubes revela ainda preocupação com um possível ajuste económico da UEFA
à participação dos clubes nas competições europeias, assim como com a
possibilidade de os detentores de direitos televisivos tentarem resgatar
valores se as provas forem interrompidas.Do
lado dos gastos, as sociedades desportivas aumentaram os custos com
testes à covid-19, desinfeções das instalações, material de proteção e
custos com teletrabalho, entre outros, apenas reduzindo em cerca de 8%
nos gastos.Do inquérito destaca-se ainda o
esforço para manter postos de trabalho, uma vez que houve apenas uma
redução de 10% nos custos com pessoal."Os
gastos das nossas sociedades desportivas no combate à covid-19 são,
claramente, superiores à redução dos gastos associados à ausência de
público. Em tudo o que diz respeito à organização de jogo, na maioria
dos casos, este fator não tem compensado, porque o acréscimo tem sido
grande, não só com os gastos adicionais relacionados com estágios, como
com a realização de testes e materiais de proteção individual", refere
Proença.Lembrando uma indústria que tem um
impacto de 0,3% no PIB, Pedro Proença espera que, "com o aparecimento
das primeiras vacinas e a possibilidade de ver estabilizada a médio
prazo a situação médica do país", se possa pensar no regresso do público
aos estádios. "Quando lançámos este
desafio às autoridades de saúde, em sintonia com a FPF, houve algum
ceticismo, mas a verdade é que o futebol e os seus adeptos responderam
da melhor forma nos testes-piloto que foram efetuados", disse.Proença
considera que "quem vive nesta indústria tem a sensibilidade suficiente
para, além da avaliação económica, perceber que a ausência de adeptos
nas bancadas começa a colocar em causa o futuro do futebol"."Acreditamos
que, exemplos como os de Inglaterra, onde os adeptos estão a regressar
aos poucos, podem ser seguidos em Portugal já em janeiro. Não só pela
mensagem de esperança que damos, também ao país, mas aos nossos clubes
que terão, agora, um caminho a percorrer até voltarem à fidelização
daqueles que são um dos suportes anímicos das equipas", referiu.