Liga Contra o Cancro prevê investir 15ME em equipamentos de rastreio
Hoje 11:30
— Lusa/AO Online
“Isto vai implicar um esforço muito grande por parte da Liga Portuguesa contra o Cancro. Mas é muito importante porque vamos apanhar, provavelmente, mais cancros iniciais. São imagens que vão de milímetro a milímetro, o que efetivamente melhora a sensibilidade da leitura e, obviamente, permite que cancros muito pequenos sejam detetados mais precocemente”, disse o presidente da LPCC, Vítor Veloso, em declarações à agência Lusa.Em causa está a passagem da mamografia convencional para a tomossíntese mamária, no cumprimento da atualização da norma sobre o rastreio de base populacional do cancro da mama, que foi alargado em 2025 a mulheres entre os 45 e os 74 anos, quando se destinava a mulheres entre os 50 e os 69 anos, cumprindo as recomendações da União Europeia.Esta alteração requer substituição de equipamentos, aquisição de novas unidades móveis de rastreio de cancro da mama, bem como, segundo descreveu à Lusa Vítor Veloso, compra de máquinas, ‘datacenters’ (centro de processamento de dados) e reforço da capacidade de armazenamento e de recursos humanos.“Será uma grande empreitada, mas será implementada de forma sustentável e responsável porque é um avanço muito grande”, disse.Vítor Veloso estima que os vários núcleos da LPCC necessitem, no total, de 15 milhões de euros e espera que o processo esteja concluído no espaço de dois anos.Avançando que os núcleos estão a fazer consultas ao mercado e que esta atualização será uma realidade “com ou sem ajudas”, o responsável sublinhou a importância de um passo que, “melhorando a sensibilidade do rastreio”, gera “maior possibilidade de curas do cancro da mama”.“Gostaríamos que o Governo olhasse para nós e nos brindasse com algum tipo de apoio como, por exemplo, faz com as fundações. Há um sem número de fundações que têm milhões e a Liga tem zero”, referiu.O exame por tomossíntese já era feita na consulta de aferição (ou seja, após um exame suspeito na mamografia) em alguns núcleos da LPCC, mas agora vai ser feito em larga escala no próprio rastreio.O método baseia-se na aquisição de múltiplas projeções de raios-X de baixa dose, que são posteriormente reconstruídas computacionalmente, permitindo a obtenção de imagens tridimensionais com cortes de aproximadamente um milímetro de espessura.Esta abordagem reduz o efeito da sobreposição do tecido mamário e melhora a deteção e caracterização das lesões.É uma tecnologia que pretende ultrapassar algumas limitações da monografia com “aumento da acessibilidade sem comprometer a segurança do doente”, acrescentou, avançando que Portugal vai-se tornar o primeiro país da Europa em que a tomossíntese mamária será o exame primário da mama.