Líderes da UE discutem hoje orçamento plurianual ainda longe de um acordo
12 de dez. de 2019, 12:12
— Lusa/AO Online
Aquele que é o
primeiro Conselho Europeu do novo ciclo institucional da UE e o primeiro
presidido pelo belga Charles Michel já nem tem como objetivo declarado
tentar um acordo sobre o próximo orçamento plurianual da União Europeia,
mas antes começar a tentar aproximar posições, com vista a um
compromisso no primeiro semestre de 2020, de modo a não comprometer a
programação dos fundos.As diferenças são
ainda de vulto entre as posições dos contribuintes líquidos – que
pretendem evitar um aumento das respetivas contribuições à luz da saída
do Reino Unido, que integrava esse grupo – e dos países que mais
dependem dos fundos, designadamente os «amigos da coesão», como
Portugal, que rejeitam em absoluto a proposta atualmente em cima da
mesa, da autoria da presidência finlandesa.A
proposta finlandesa defende contribuições dos Estados-membros
equivalentes a 1,07% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) conjunto da UE a
27 (sem o Reino Unido), valor abaixo da proposta original da Comissão
Europeia [1,11%] e liminarmente rejeitado por um grupo alargado de
países, como Portugal (que defende pelo menos 1,16%), assim como pelo
Parlamento Europeu (cuja ambição chega aos 1,3%).Na
sua estreia a presidir a cimeiras, o novo presidente do Conselho
Europeu, Charles Michel, advertiu desde já que é necessário “entrar numa
nova fase” do processo negocial do futuro Quadro Financeiro Plurianual e
que o objetivo na discussão de hoje ao jantar é “trabalhar para
identificar os elementos de um acordo final”, que, notou, só será
possível se houver “concessões de todas as partes”.Contudo,
concessões é algo que não se tem verificado ao longo dos últimos meses,
e o Governo português garante que não cederá na sua posição de rejeitar
um orçamento que sacrifique a política da coesão e na política agrícola
comum, considerando um “grave erro” a UE não se dotar de um quadro
financeiro plurianual à altura das suas ambições.“A
nossa base de partida deve ser pelo menos 1,16%, que corresponde a
manter o mesmo esforço percentual do conjunto dos Estados relativamente
àquilo que aceitaram há sete anos, descontando o Reino Unido”, reiterou
na terça-feira, em Lisboa, o primeiro-ministro António Costa, que
representa Portugal na cimeira.