Líder trabalhista acusa Boris Johnson de usar guerra na Ucrânia como “escudo"
19 de abr. de 2022, 11:30
— Lusa/AO Online
Keir
Starmer, que lidera o principal partido da oposição do Reino Unido,
considerou "ofensivo” o argumento de que o chefe do Governo não deve ser
destituído durante a guerra na Ucrânia para não criar instabilidade no
país.“Não concordo com a ideia de que
Johnson é a única pessoa com alguma importância na crise da Ucrânia. (…)
Ele está a usar isso como um escudo e eu penso que é bastante
ofensivo", disse esta manhã, em declarações na estação ITV.O
líder trabalhista recordou que a posição de apoio à Ucrânia é
consensual no Partido Conservador, pelo que qualquer sucessor iria
manter a mesma política externa britânica, a qual também tem recebido a
aprovação dos partidos da oposição. Starmer
criticou também Conservadores como o ministro para a Irlanda do Norte,
Brandon Lewis, que hoje desvalorizou a multa aplicada pela polícia a
Johnson e ao ministro das Finanças, Rishi Sunak, ao compará-la a uma
multa por excesso de velocidade ou infração no estacionamento.Na opinião de Starmer, estes estão a "defender o indefensável”. Boris
Johnson vai esta tarde ao Parlamento para se desculpar pela multa
aplicada pela polícia por participar de uma festa de aniversário no
próprio escritório, em junho de 2020, violando as regras contra
“ajuntamentos desnecessários" para evitar a propagação do coronavírus.Inicialmente,
o primeiro-ministro britânico rejeitou perante os deputados a
existência de “festas” e garantiu que as regras tinham sido respeitadas,
mas acabou por aceitar e pagar a multa, que também foi aplicada à
mulher, Carrie Johnson. De acordo com a
imprensa britânica, Johnson vai pedir desculpa, mas rejeitar os pedidos
da oposição para se demitir, centrando a intervenção nas prioridades do
país no combate à crise do custo de vida e na ajuda à Ucrânia para se
defender contra a invasão da Rússia. As
normas ditam que um político deve demitir-se se mentiu deliberadamente
na Câmara dos Comuns, mas Brandon Lewis insistiu hoje, em declarações à
BBC, que Johnson não mentiu e que disse aos deputados “o que ele
acreditava na altura ser a verdade”.Tendo
em conta que o Partido Conservador tem a maioria absoluta, a oposição
não consegue forçar a demissão de Boris Johnson e uma moção de censura
interna entre os ’tories’ precisa de ser subscrita por um mínimo de 54
deputados. A Polícia Metropolitana de
Londres continua a investigar um total de 12 festas ilegais realizadas
na residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, e outros
edifícios do Governo em 2020 e 2021.A imprensa britânica noticiou que Johnson compareceu a seis daqueles eventos, pelo que poderá receber mais multas.