Líder PS/Açores exige esclarecimentos sobre pagamentos em atraso nas Lajes
16 de out. de 2025, 15:35
— Lusa/AO Online
Numa
pergunta dirigida aos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa
Nacional, Francisco César sublinha que a Base das Lajes, na ilha
Terceira, “é uma infraestrutura de importância estratégica para Portugal
e para os Estados Unidos” e "um espaço onde trabalham dezenas de
açorianos que merecem respeito e proteção laboral plena".O
deputado socialista, citado numa nota de imprensa do PS, alerta que
"está em causa o sustento de famílias açorianas que, há décadas,
garantem o funcionamento da Base das Lajes com profissionalismo e
dedicação". "Não é admissível que estes
trabalhadores enfrentem atrasos no pagamento de salários ou a ausência
de atualização das suas tabelas salariais em conformidade com a
Retribuição Mínima Mensal Garantida em vigor na Região Autónoma dos
Açores", aponta Francisco César.Na
pergunta entregue no parlamento, Francisco César solicita ao Governo da
República esclarecimentos quanto às diligências que foram feitas junto
das autoridades norte-americanas e que garantias existem de que os
salários em atraso serão regularizados de forma imediata.O
parlamentar socialista questiona ainda se o Governo português está
disponível para assegurar, de forma transitória, o pagamento dos
vencimentos em falta, de modo "a evitar prejuízos graves para as
famílias afetadas" e que "medidas serão adotadas para prevenir que
situações semelhantes não voltem a ocorrer no futuro".Para
o líder regional do PS, "o Estado Português tem o dever de assegurar
que os direitos laborais dos seus cidadãos sejam integralmente
respeitados e que nenhuma entidade estrangeira, ainda que ali instalada,
possa desconsiderar as obrigações básicas decorrentes da legislação
portuguesa”.De acordo com o PS, Francisco
César pediu também informações sobre a data prevista para a realização
da próxima reunião da Comissão Laboral, que, "segundo estava previsto,
deveria ter ocorrido em setembro", e sobre a marcação da próxima reunião
da Comissão Bilateral, responsável pelo acompanhamento do Acordo de
Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos.Na
quarta-feira, o Governo dos Açores manifestou “profunda preocupação”
devido a pagamentos em atraso aos trabalhadores portugueses na Base das
Lajes, uma situação “inédita e inaceitável”, pedindo à República para
interceder junto dos Estados Unidos.Em
comunicado, o executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) revelou que o
vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, escreveu uma carta ao
ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel devido à “situação
laboral que atualmente afeta os trabalhadores portugueses civis ao
serviço das forças norte-americanas na Base das Lajes” na ilha Terceira.“No
mesmo documento, Artur Lima solicita que o Governo da República ative
todos os canais diplomáticos disponíveis para assegurar o cumprimento
das obrigações contratuais e salariais relativas aos trabalhadores
portugueses civis na Base das Lajes”, é acrescentado.Durante
todo o período da paralisação orçamental, conhecida por ‘shutdown’, os
mais de 2,3 milhões de funcionários federais não recebem salários —
mesmo aqueles que devem continuar a trabalhar —, assim como os mais de
1,3 milhão de militares.Portugal e os
Estados Unidos têm um Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação que
permite aos norte-americanos usufruírem de facilidades militares na Base
das Lajes, onde trabalha um efetivo civil português.Na
quarta-feira o parlamento dos Açores aprovou uma resolução que reclama a
regularização imediata dos salários em atraso, dos trabalhadores
portugueses na Base das Lajes, na sequência da não aprovação do
orçamento dos Estados Unidos da América.“A
ausência de pagamento de dias de trabalho aos trabalhadores da Base das
Lajes, por parte dos Estados Unidos da América, é vergonhosa e
atentatória aos direitos destes trabalhadores e não tem qualquer
fundamento legal”, é referido na resolução, apresentada pelo deputado do
BE, António Lima.A proposta de resolução
foi aprovada por maioria, com os votos a favor de BE, PS, PAN e IL e
Chega e os votos contra dos três partidos que formam o Governo (PSD, CDS
e PPM), que não tem maioria parlamentar.