Líder PS/Açores acusa Governo de ignorar sinais de agravamento das finanças
14 de jul. de 2025, 15:45
— Lusa/AO Online
“Temos um problema. Gastamos mais do que
aquilo que temos e não conseguimos executar aquilo que temos para
receber. Aquilo que podemos fazer é ajudar e dar a mão como já fizemos,
mas o Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] prefere olhar para o lado e
negar a realidade, como tem acontecido”, afirmou Francisco César.O
líder regional do PS falava aos jornalistas, após reunir com a direção
da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel.Francisco César apontou, na ocasião, para o "agravamento" da dívida financeira da região nos últimos cinco anos"."A
dívida financeira da Região voltou a crescer, apesar de o Governo
Regional ter recebido autorização para contrair empréstimos no valor de
75 milhões de euros destinados, precisamente, a pagar a fornecedores.
Mesmo assim, a dívida a fornecedores aumentou mais 57 milhões de euros.
Isto é um sinal claro de descontrolo”, apontou.Francisco
César voltou a alertar para o baixo ritmo de execução do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR), que "em 2024 se situou nos 19%".O
líder do PS/Açores criticou também a taxa de execução dos fundos
comunitários, que “é muito baixa”, indicando que “dos mais de 84 milhões
de euros executados até agora, apenas dois milhões chegaram
efetivamente às empresas"."Até maio deste
ano, a Região arrecadou apenas 20 milhões de euros, quando o esperado
seria, no mínimo, 80. É uma queda grave, que confirma as nossas
preocupações”, acrescentou.Francisco César
denunciou também "o colapso" do modelo de transporte marítimo de
mercadorias e "a degradação" do sistema de transportes aéreos.“A
SATA, após mais de 400 milhões de euros em injeções públicas e cinco
anos de reestruturação, continua a acumular prejuízos e poderá vir a
custar mil milhões de euros aos contribuintes açorianos. A operação está
em rutura, e os açorianos sentem isso no dia a dia, com voos
constantemente atrasados, cancelados ou lotados", sustentou.Segundo
Francisco César, o "Governo não paga, não executa e, ainda assim,
recusa enfrentar a realidade" e "insiste em culpar o passado, quando já
governa há cinco anos e falha em apresentar resultados" com implicações
na vida dos "cidadãos e empresas"."Às
vezes, parece que há uma acalmia antes da tempestade. Nós já começamos a
ter ventos muito fortes que demonstram que temos um problema grave nos
Açores", reforçou.O líder do PS/Açores reafirmou a disponibilidade do partido para contribuir com soluções e propostas concretas.“Temos
colocado questões na Assembleia da República e vamos continuar a exigir
transparência, como o pedido de informação sobre a execução do PRR ou a
avaliação do cumprimento das obrigações no transporte marítimo. O PS
não se limita a criticar, queremos ajudar a resolver, mas é o Governo
que tem recusado ouvir e agir", disse.Ainda
segundo Francisco César, outra das preocupações deixadas pelos
empresários foi "a falta de mão-de-obra" e "burocracia em excesso".