Líder parlamentar do Bloco de Esquerda não será candidato nas legislativas
4 de dez. de 2023, 13:14
— Lusa/AO Online
Num artigo de opinião
publicado no jornal Público, Pedro Filipe Soares considera que a
marcação de eleições para 10 de março do próximo ano “será o início de
um novo ciclo político”, num momento que considera que “marca uma
transição”.“Penso ser tempo de renovar,
cumprir o preceito republicano de que a representação pública tem um
tempo limitado e dar o lugar a outros”, escreve Pedro Filipe Soares,
sublinhando que tomou a decisão “com a certeza que hoje o Bloco de
Esquerda [BE] está mais forte” e terá “um papel determinante” no próximo
ciclo político.O dirigente do BE sublinha
que esta “não é uma despedida da atividade política ou da camaradagem”,
que estará presente em todas as lutas, pois mantém-se fiel aos valores
da esquerda, “pelos direitos no trabalho, o teto para uma vida digna, a
resposta à crise climática, a cultura da solidariedade e a promoção da
igualdade”.“Não faltarei a nenhuma chamada, sabem que podem contar comigo para tudo”, escreve.Pedro
Filipe Soares lembra igualmente o que considera “um dos momentos mais
marcantes” da sua vida política até hoje: “o banho de multidão quando
derrubámos o Governo das direitas, em 2015”.“Depois
de quatro anos de destruição do país, de ataques ao salário e às
pensões, a esperança saiu à rua em estado puro”, recorda, acrescentando:
“Sabíamos que o acordo parlamentar era indispensável, mas também
conhecíamos as suas limitações”.“A maioria
absoluta do PS e a crise social que cavou mostram como hoje temos de
ser muito mais ambiciosos para resolver os bloqueios do país”, refere
Pedro Filipe Soares, realçando os avanços nos direitos fundamentais
conseguidos nos últimos anos, dando como exemplo o casamento ou a adoção
entre pessoas do mesmo sexo, o alargamento de direitos às uniões de
facto ou a descriminalização da morte medicamente assistida.“E
expusemos como as regras europeias, sobre as metas de défice e da
dívida, são o garrote do investimento público e atrasam o país”,
escreve.