Líder dos conservadores acusa chanceler alemão de estar a “dividir o país”
13 de nov. de 2024, 16:00
— Lusa/AO Online
O líder da CDU e candidato a chanceler falou no parlamento alemão (Bundestag) depois de Olaf Scholz discursar. Merz
defendeu que como “consequência lógica” deveria ter sido convocado uma
moção de confiança “imediatamente e sem demora” e não fazer os alemães
esperar mais.“Está a dividir o país,
senhor chanceler. É o único responsável por estas controvérsias e por
esta divisão na Alemanha. Não se pode governar desta forma”, acusou
Merz, dedicando algum tempo a discutir o caminho até às novas eleições. O líder dos conservadores vai apoiar alguns projetos, mas, garante, não vai ser “o substituto do governo falhado”.Annanela
Baerbock, dos Verdes - partido que integra o governo minoritário em
conjunto com o Partido Social Democrata (SPD), após a saída do Partido
Democrático Liberal (FDP) -, substituiu Robert Habeck e falou em nome do
partido. O atual ministro da Economia, e candidato a chanceler nas
eleições previstas para fevereiro de 2025, não conseguiu chegar a tempo
devido a uma avaria do avião em que deveria viajar desde Lisboa.No
seu discurso, a ministra dos Negócios Estrangeiros defendeu o trabalho
do governo da chamada 'coligação semáforo', não querendo entrar em
controvérsias para conseguir “aplausos gratuitos”.Christian
Lindner, líder dos liberais do FDP, sublinhou que as novas eleições
constituem uma oportunidade para a Alemanha. O antigo ministro das
Finanças descreveu a sua demissão, pelo chanceler, como “libertadora”.Olaf
Scholz tinha descrito a decisão de afastar Lindner como “correta e
inevitável”, uma demissão que ditou o fim da 'coligação semáforo' e a
convocação de uma moção de confiança que vai ser votada a 16 de
dezembro.Alice Weidel, co-líder da
Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, centrou
as suas críticas no partido conservador por recusar trabalhar em
conjunto.“Não pode realizar nenhuma das
coisas que promete. Não é uma alternativa a este governo e a este
chanceler”, acusou Weidel, acrescentando que quase todas as decisões
erradas e fatais para o “declínio da Alemanha e da economia” alemã podem
ser atribuídas à antiga chanceler da CDU, Angela Merkel.Já
Markus Söder, líder da CSU, o partido irmão da CDU na Baviera, acusou a
'coligação semáforo' de ficar para a história da República Federal da
Alemanha como o “governo mais fraco”, acrescentando em inglês que é
altura de “dizer adeus, senhor Scholz”.“Metade
do mundo está a rir-se da Alemanha, do teatro que temos aqui montado”,
salientou, referindo-se às notícias que dão conta da falta de papel no
país que poderia impedir uma eleição antecipada.Após
a saída dos liberais, e até às eleições antecipadas, que deverão
acontecer a 23 de fevereiro, Scholz liderará um Governo minoritário
formado pelo seu partido, o SPD, e pelos Verdes.