Líder do PSD/Açores critica António Costa por desaproveitar revisão constitucional
11 de nov. de 2022, 15:47
— Lusa/AO Online
Para o também presidente do Governo dos Açores, “isso é o que se chama uma tentativa de inversão do ónus".“Quem
não aproveita o momento de revisão constitucional para desenvolver a
própria Constituição, o quadro jurídico-político do país e valorizar a
descentralização e o poder autonómico, na verdade é próprio de quem tem
culpa e não valoriza o país nem as oportunidades”, afirmou José Manuel
Bolieiro, na sessão de encerramento das jornadas parlamentares do
PSD/CDS-PP/PPM, em Ponta Delgada. O também
presidente do Governo dos Açores reagia às declarações do
secretário-geral do PS, que avisou na quinta-feira que os socialistas
vão recusar propostas de revisão da Constituição sobre matérias
institucionais, alegando que essa discussão seria incompreensível para
os cidadãos na atual conjuntura e um desrespeito pelas autonomias
regionais.Bolieiro considerou que afirmar
que esta é “apenas uma revisão cirúrgica não institucional é uma
desculpa para a falta de trabalho e de vontade” e “não se pode
desvalorizar quem tem culpas com desculpas, que se mantêm”.O
líder do PSD/Açores acusou a estrutura açoriana do PS de “optar por
estar a desculpar-se a dizer que este trabalho está no parlamento
regional”, quando “na anterior legislatura tinha condições para ter o
trabalho feito”.Bolieiro acusou o
PS/Açores de “não conseguir convencer o partido a nível nacional a dar
conteúdos de aprofundamento autonómico num projeto de revisão
constitucional”. Mesmo que as propostas
do PSD sejam inviabilizadas pela maioria socialista, “ficará o lastro
inscrito relativamente às conquistas autonómicas”, na sua opinião. O
líder do PSD/Açores reiterou que o cargo de representante da República
seja extinto na próxima revisão constitucional no âmbito das três
medidas que considerou mais importantes neste dossiê para as regiões
autónomas.“A extinção constitucional do
cargo de representante da República é para nós relevante, sempre foi,
porque dá um sinal de valorização dos órgãos de governo próprio e não de
tutela”, declarou Bolieiro, referindo que estas competências devem
transitar para o Presidente da República.Face
à “posição centralista” do Tribunal Constitucional, “deve-se clarificar
os poderes da gestão e cogestão do mar”, segundo o líder do PSD/Açores.Bolieiro
defende ainda que “haja em termos constitucionais a obrigatoriedade de
uma presença dos presidentes dos Governos dos Açores e Madeira em pelo
menos duas reuniões do Conselho de Ministros, para afirmar temas ligados
à autonomia e ao papel dos órgãos de governo próprio das regiões
autónomas”.O líder do PSD/Açores
questionou - na sequência de uma proposta do PSD, feita na Assembleia da
República, de reforçar para 10 milhões de euros as contrapartidas
financeiras do Estado para assegurar as ligações com as rotas não
liberalizadas na região – se “está o Governo da República e os deputados
eleitos pelo PS para o parlamento nacional, comprometido, como sempre
esteve, e nos valores adequados”. O
secretário-geral do PS alegou na quinta-feira, relativamente à revisão
constitucional, que há trabalho a ser desenvolvido nas assembleias
legislativas regionais dos Açores e da Madeira de reflexão sobre o
respetivo estatuto autonómico.“No meu
entender, seria além do mais uma falta de respeito pela autonomia das
assembleias legislativas regionais, quando está um trabalho em curso,
pormo-nos agora a apresentar qualquer proposta nessa matéria. Se for o
caso, haverá sempre condições de, por maioria de quatro quintos,
realizar um processo de revisão constitucional [extraordinário], se tal
se vier a justificar e se for esse o sentido da reflexão que está neste
momento em curso", acrescentou.