Líder do PS/Madeira diz que tem de haver “capacidade de diálogo” com Governo Regional
23 de nov. de 2019, 19:38
— AO Online/ Lusa
"Temos de ter essa capacidade de diálogo, temos de defender as nossas ideias, os nossos princípios, pensando sempre nos madeirenses e porto-santenses, mas também temos de ter a tal capacidade, numa vivência democrática, de ir ao encontro daquilo que é apresentado em termos governamentais", afirmou.Emanuel Câmara falava no encerramento das jornadas parlamentares do PS/Madeira, no Funchal, onde também discursou o deputado Paulo Cafôfo, cabeça de lista do partido nas eleições regionais de 22 de setembro, em que os socialistas obtiveram o melhor resultado de sempre, elegendo 19 deputados.Paulo Cafôfo orientou a intervenção numa perspetiva diferente do líder do partido, considerando que o atual Governo Regional apresenta um "’mix’ patológico", marcado por "falsas esperanças", bem como pela negação dos problemas e o adiamento de soluções."Há uma agitação improdutiva", afirmou o deputado, que concorreu como independente, mas, entretanto, se tornou militante e é agora um potencial candidato à liderança do PS regional."Eu diria que um sistema político agitado significa que temos uma sociedade irritada. Isto não é benéfico para ninguém", disse Paulo Cafôfo, sublinhando que a estabilidade política não passa por ter maioria absoluta nem fazer acordos como o PSD e o CDS, mas sim garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas.Já o líder do PS, que interveio logo após Paulo Cafôfo, vincou que o "trabalho para derrubar" o PSD no arquipélago terá de ser feito com os "pés bem assentes no chão", mas também "dialogando com o Governo Regional para ir ao encontro das melhores soluções dos madeirenses e porto-santenses".Emanuel Câmara considerou, no entanto, que os madeirenses "não queriam" um governo de direita, embora este tenha de ser aceite tendo em conta o "cenário democrático” em se vive."Por isso, temos uma responsabilidade acrescida, pela dimensão e capacidade do nosso grupo parlamentar, para um trabalho profícuo, sempre em sintonia e perspetivando o bem-estar de todos os madeirenses e porto-santenses", disse Emanuel Câmara.Nas eleições legislativas regionais de 22 de setembro, o PSD perdeu a maioria absoluta com que sempre governara a região autónoma, tendo eleito 21 deputados, num total de 47 que compõem o parlamento regional, mas estabeleceu um acordo de governo com o CDS-PP, que conta com três deputados.O líder socialista, que foi eleito deputado, mas renunciou para continuar como presidente da Câmara Municipal do Porto Moniz, norte da ilha, alertou, por outro lado, para a importância das eleições autárquicas de 2021, considerando-as "determinantes para o futuro da região" e "fundamentais para afirmar o Partido Socialista" na Madeira."E ninguém pode pensar: eu sou deputado, não tenho nada a ver com isso. Estão muito enganados. Todos nós temos de dar o corpo ao manifesto, temos de dar o máximo, custe o que custar", advertiu.