Líder do PS acusa Governo de apresentar “medidas avulso” para o país
25 de ago. de 2025, 12:21
— Lusa/AO Online
“Já
percebemos que o Governo não tem uma visão para o desenvolvimento do
nosso país. Vai apresentando medidas avulso, mas não tem uma visão para o
desenvolvimento, para a coesão, para a economia, para o emprego,
particularmente nos territórios que estão mais afastados dos grandes
centros urbanos”, afirmou o líder socialista antes de seguir viagem pela
estrada que liga o país até Faro, no Algarve.Este
é “um percurso histórico, com muita identidade”, afirmando que, com a
Rota EN2 “Pela Coesão e Valorização do Território” se quer comprometer
com as pessoas e com as instituições que vai encontrar ao longo do
percurso.E entre Trás-os-Montes e o
Algarve, José Luís Carneiro apontou que vai poder ver “boas
oportunidades”, mas também “estrangulamentos, assimetrias que é preciso
ultrapassar com um compromisso nacional para esse objetivo.Ao
longo da viagem, o líder socialista passará por território afetados
pelos incêndios. Questionado pelos jornalistas sobre se está preparado
para também ouvir críticas, por ter integrado o Governo de António
Costa, respondeu que quem “tem que prestar contas por aquilo que fez ou
que não fez é o Governo que está no desempenho das suas funções”.
E a propósito recordou as palavras do antigo Presidente da República
Cavaco Silva que considerou ser um "guru espiritual" do atual
primeiro-ministro e citou: “- a partir dos seis meses de Governo, um
Governo que procure justificar os seus insucessos com Governos do
passado é um Governo incompetente”.José
Luís Carneiro disse ainda que o Governo PS tinha “um caminho que estava a
ser desenvolvido” e considerou “incompreensível” que o “Ministério da
Agricultura tenha ido buscar mais de 120 milhões de euros das políticas
florestais e tenha levado esse valor para outras políticas, retirando
esses recursos financeiros daquela que deveria ser uma prioridade”.Prioridade
essa que, explicou, “tinha que ver com a concretização da reforma da
propriedade rústica, com o registo cadastral, tinha que ver, por
exemplo, com projetos de reflorestação para a constituição das áreas
integradas de gestão da paisagem, para a criação dos mosaicos
florestais”.“Não haverá vencimento das
dificuldades estruturais que o país tem se nós não formos capazes de ter
políticas de investimento na agricultura, na floresta e na valorização
dos recursos económicos e com o povoamento do território e, para isso, é
necessário ter uma abordagem de país que passa também pela reforma do
próprio Estado, pela reforma dos poderes públicos pela descentralização
de serviços e pela colocação de serviços nos vários territórios do país,
como aliás, o grupo que trabalhou no âmbito da coesão e das políticas
para o interior determinou”, referiu.Hoje o
ponto de encontro, em Chaves, foi na praça General Silveira e, depois,
José Luís Carneiro seguiu a pé até à ponte romana de Trajano
distribuindo postais, através dos quais pede aos cidadãos para enviarem
para o largo do Rato (sede do PS em Lisboa) propostas, sugestões ou
críticas, no âmbito da iniciativa “Saber ouvir e dar voz a Portugal”.A
EN2 tem 738 quilómetros, liga Trás-os-Montes ao Algarve pelo interior
do país e tornou-se numa rota turística que atrai muitos turistas
nacionais e estrangeiros.A 20 de agosto de
2019, também o antigo primeiro-ministro e secretário-geral do PS
António Costa iniciou em Chaves uma viagem pela EN2 defendendo, na
altura, que o país tinha de “saber valorizar” um “grande eixo de
potencial de desenvolvimento”.