Líder do PS/Açores rejeita que condenação de autarca afete imagem do partido na região
5 de abr. de 2025, 12:55
— Lusa/AO Online
“É
importante dizer que esta sentença será alvo de um recurso e, portanto,
até trânsito final em julgado, todas as pessoas têm direito à sua
presunção de inocência”, afirmou, em declarações à Lusa, o líder
regional socialista.O tribunal condenou na
sexta-feira o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo,
Ricardo Rodrigues (PS), a uma pena suspensa de três anos e quatro meses
de prisão e à perda de mandato pelo crime de prevaricação. Em
causa está a concessão do espaço de restauração da Rotunda dos Frades a
Luís Rodrigues, irmão do autarca, um caso que remonta a 2018, quando a
Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito àquele ato.Questionado sobre se este caso poderia afetar a imagem do Partido Socialista nos Açores, Francisco César disse que não.“Porquê?
Pelo facto de haver uma condenação? Penso que não. Em todos os casos há
situações em que há julgamentos, em que há apreciações da parte do
Ministério Público e acusações. Aquilo que deve acontecer é, quando há
dúvidas, o Ministério Público deve agir. Se houver matéria para isso,
deve haver julgamento e depois o que devemos fazer é democraticamente
aceitar os resultados do tribunal. Cada sentença deve-nos fazer refletir
e pensar e, em função disso, tomar uma decisão”, afirmou.Ricardo
Rodrigues, eleito pelo PS, cumpre o terceiro e último mandato à frente
da autarquia de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.Em
declarações à Lusa, o autarca revelou que iria recorrer da decisão do
tribunal e que anunciará o pretende fazer em Assembleia Municipal.“Na
sequência da decisão do tribunal de primeira instância, de que
naturalmente recorrerei, acho que o lugar mais adequado para esclarecer
os vilafranquenses e tomar uma posição definitiva sobre essa matéria,
será a próxima Assembleia Municipal, que se realizará no próximo dia 10
de abril [quinta-feira]”, avançou.Francisco
César disse que falou com o autarca e concordou com a decisão tomada,
mas alegou que deverá ser anunciada pelo próprio.“O
Partido Socialista ouviu, percebeu e manifestou a sua posição. Fê-lo da
forma mais correta, junto do autarca. O autarca o que fez foi
comunicar-me qual seria a sua decisão. O que eu devo fazer, estando de
acordo, é respeitar e dar ao próprio a oportunidade de comunicar
primeiramente o que vai fazer”, adiantou.Questionado
sobre se acreditava na inocência do autarca de Vila Franca do Campo, o
líder regional socialista disse que “se deve partir do princípio da
inocência até decisão final de um juiz”.“Ainda haverá um recurso. Não será a primeira, nem a última vez, em que os recursos têm um sentido contrário”, apontou.Francisco César reconheceu a obra e o trabalho feito por Ricardo Rodrigues à frente da autarquia de Vila Franca do Campo.“É
alguém que foi um autarca que reconhecemos pela sua obra, é alguém que
eu reconheço pelas suas capacidades e pelo seu trabalho e naturalmente
desejo-lhe boa sorte em relação ao seu futuro”, frisou.O
PS/Açores anunciou, em fevereiro, o nome de Graça Melo, atual
vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, como
candidata àquele município às próximas eleições autárquicas.Francisco
César admitiu que “todos os acontecimentos têm impacto em eleições”,
mas considerou que a candidatura de Graça Melo não será afetada por este
caso.“A vice-presidente não tem nenhuma relação, portanto não haverá qualquer tipo de interpretação em relação a isso”, defendeu.Além
do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o tribunal
condenou também o vereador da autarquia Carlos Pimentel a uma pena
suspensa de dois anos e oito meses de prisão, pelo crime de
prevaricação, e também a perda de mandato.Quanto
a Luís Rodrigues, irmão do presidente da Câmara Municipal de Vila
Franca do Campo, foi condenado a uma pena suspensa de três anos e quatro
meses de prisão também pelo crime de prevaricação.Durante
a leitura da sentença, a juíza disse que existiu “um plano concertado”
dos arguidos para a atribuição do espaço de restauração ao familiar do
autarca de Vila Franca.Segundo a juíza, "não restam dúvidas de que existiu conluio" para que Luís Rodrigues explorasse o restaurante.O
autarca esteve a ser julgado após o Tribunal da Relação de Lisboa ter
revertido a deliberação do juiz de instrução criminal de Ponta Delgada,
que tinha decidido, em 09 de outubro de 2023, não pronunciar o
socialista por aqueles crimes, dando assim provimento ao recurso
apresentado pelo Ministério Público (MP).