Líder do PS/Açores quer Projeto de Interesse Comum na Educação
Hoje 16:16
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa e RTP/Açores, Francisco César avisou que a
região está a “regredir” ao nível do abandono escolar e do número
de jovens NEET (que não estudam, nem trabalham) e exigiu a intervenção
do Governo Regional.“Em
vez de avançar, estamos a regredir. O abandono precoce escolar aumentou.
O número de jovens que não estuda, nem trabalha aumentou. Isso quer
dizer que vamos pagar, a prazo, o problema de não conseguirmos ter
garantias de que os nosso níveis formativos melhorem”, afirmou, após uma
reunião com a comissão de Educação do Conselho Económico e Social dos
Açores (CESA), em Ponta Delgada.O
presidente do PS/Açores defendeu a criação de um “grande projeto de
interesse comum”, uma “parceria entre o Governo Regional e Governo da
República”, com “fundos alocados e fundos europeus”, em articulação com
juntas de freguesia, municípios e Institutos Particulares de
Solidariedade Social (IPSS).“Um projeto
que numa geração consiga, de uma vez por todas, tirar a região da cauda
da Europa. Temos o número de jovens que abandonam a escola que é o
segundo pior da Europa, 21%”, salientou.Questionado
sobre o valor daquela proposta, o também deputado na Assembleia da
República recordou que a Madeira teve um projeto de interesse comum de
cerca de 500 milhões de euros para a construção de um hospital.“Há
quem queira construir obras físicas. A nossa obra são as pessoas. É a
qualificação das pessoas. O Governo da República comprometeu-se com a
Madeira, os Açores não têm um projeto de interesse comum. O nosso
projeto de interesse comum devia ser a Qualificação e a Educação a
vários níveis”, declarou.O socialista
considerou necessário “adaptar a resposta formativa” e garantir que
“ninguém abandona a escola por não ter condições económicas e sociais”.“Em
2011, saíam qualificados, jovens com qualificação profissional, cerca
de 5.500 jovens. Hoje saem cerca 450. Isto quer dizer que temos aqui um
problema grave. Estes jovens que não estudam nem trabalham são cerca de
7.800”, reforçou.Francisco César advogou
que a base para uma “região desenvolvida” com “alto crescimento
económico” está na “educação e qualificação” e sinalizou a importância
de “detetar precocemente” e “acompanhar um a um” os jovens que não
estudam nem trabalham.“O Governo
[Regional] não pode ficar sentado, não pode ficar parado, sem nada
fazer. Neste momento, um jovem que abandone o ensino obrigatório não tem
garantias de que o Estado ou a região consigam que ele volte para a
escola. Estamos a falar de miúdos de 14, 15, 16 anos que ainda estão no
ensino obrigatório”, insistiu.Na ocasião, o
líder do PS nos Açores foi questionado sobre a notícia da Antena
1/Açores de que a presidente do CESA pretende profissionalizar aquele
organismo e reforçar a estrutura com chefe de gabinete, três adjuntos,
um secretário pessoal e um motorista, o que poderá aumentar em 300 mil
euros anuais os custos de funcionamento.“Tudo
o que forem abusos ou luxos que não fazem sentido, naturalmente serei
contra. Tudo o que for fundamental para garantir que o CESA cumpra o seu
trabalho, eu acho que é importante”, respondeu.Francisco
César defendeu ainda a necessidade de “equilíbrio” entre dar o “máximo
de respostas com o mínimo possível de recursos”.“Antes
de ir atrás de uma ou outra notícia que possa ser mais sensacionalista,
que curiosamente surge no dia em que o PS vem reunir com o CESA, gosto
primeiro de ver o documento e confesso que ainda não vi”.Um
estudo do CESA, divulgado a 08 de abril, propõe uma “consensualização”
política e o “acompanhamento um a um” para reduzir os cerca de 7.800
jovens NEET na região.