Líder do PS/Açores diz que região está em contraciclo em termos de ‘superavit’ orçamental
28 de jan. de 2025, 16:09
— Lusa/AO Online
“A
região é única que vai em contraciclo. Ou seja, o país tem um
'superavid' orçamental, tal como a Madeira, e a região tem um défice
superior a 2%, e isso manifesta-se não apenas nos números mas na vida
das pessoas”, afirmou Francisco César aos jornalistas, na sequência de
uma visita à Casa de Saúde de São Miguel, em Ponta Delgada.O
responsável político referiu, a propósito, que o Governo dos Açores
deve cerca de 3 milhões de euros à Casa de Saúde de São Miguel, valor
que, segundo o presidente da instituição revelou mais tarde, deverá ser
regularizado no primeiro semestre do ano, de acordo com a indicação que
recebeu do executivo açoriano.“Isto quer dizer que o Governo [Regional] não está a pagar (…) porque não tem os recursos para pagar”, frisou.De
acordo com o parecer do Conselho de Finanças Públicas, divulgado a 15
de janeiro, os Açores e a Madeira registaram um crescimento económico
acima do conjunto do país, em 2023, o que contribuiu para que tenham
regressado a uma situação de equilíbrio orçamental.O
rácio da dívida nos Açores, segundo a definição de Maastricht, “quebrou
pela primeira vez a trajetória ascendente que se mantinha há década e
meia”, tendo baixado 3,5 pontos percentuais para 59,6% do PIB regional.“Esta
melhoria foi motivada pela conjuntura económica que se traduziu num
forte efeito dinâmico favorável que mais do que compensou o impacto do
défice primário de 2,2% do PIB regional”, diz o Conselho das Finanças
Públicas.Sobre a subida do 'rating' dos
Açores, Francisco César refere que “o 'rating' das regiões autónomas não
está associado diretamente às suas finanças, mas sim ao ‘rating’ do
país”.Há três dias, a agência de notação
financeira DBRS subiu o 'rating' da Região Autónoma dos Açores para
“BBB”, atualizando as tendências em todos os 'ratings' que mudaram de
positivo para estável.Segundo um
comunicado de imprensa divulgado pela entidade, a DBRS elevou a
classificação dos "ratings" de longo prazo da Região Autónoma dos Açores
para BBB e de curto prazo para R-2 (médio).De
acordo com Francisco César, é “graças ao trabalho que foi feito – e
está a ser feito do ponto de vista de finanças públicas - que o país
está melhor financeiramente do que estava, deve menos do que devia”,
sendo o ‘rating’ da região “arrastado para cima por isso”. O
dirigente socialista revelou, por outro lado, que vai voltar a
apresentar uma proposta na Assembleia da República (AR) que pretende
congregar vontades nacionais e regionais visando encontrar soluções para
combater o flagelo das dependências na região.Francisco
César recordou que a AR, na legislatura passada, apresentou uma
iniciativa para que fosse desenvolvido por vários ministérios (Saúde,
Administração Interna e Segurança Social), em colaboração com o Governo
Regional, um estudo sobre as dependências nos Açores, que foi aprovado,
mas entretanto a legislatura "caiu".“Vou
voltar a apresentar esta proposta porque acho que, com os meios que
temos nos Açores, não conseguimos ter capacidade para dar resposta a
este problema”, afirmou o dirigente.Francisco
César considerou que os Açores são a “pior região do país em termos de
dependências”, um “problema de saúde pública que merece respostas”,
tendo apontado que “o problema hoje nos Açores é que se faz menos do que
se fazia antes”.O líder socialista
defendeu o desenvolvimento de programas de prevenção para combater as
dependências e afirmou que as casas de saúde e centros de terapêutica
devem “eles próprios sinalizar as pessoas” vítimas das dependências e
combater assim a “burocracia para alguém que procura respostas”.