Líder do PS/Açores diz que partido tem de estar preparado para ir a eleições e governar
Hoje 09:42
— Lusa/AO Online
Francisco
César afirmou na reunião da Comissão de Ilha do PS de São Miguel,
realizada no Cineteatro Lagoense, na Lagoa, que o partido “tem que estar
preparado para ir a eleições e governar a qualquer momento, porque a
situação, efetivamente, é muito instável da parte do Governo Regional”
liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.O
socialista referiu que, “muito em breve”, o PS/Açores irá ter eleições
para a presidência e, no final do ano, será realizado o Congresso
Regional para preparar o partido “para um novo ciclo”.“Nós
temos um Governo Regional que não só governa mal, tem uma conjuntura
muito difícil, mas mesmo internamente tem muitas dificuldades do ponto
de vista quer da afirmação da liderança do Governo, quer da
estabilização de políticas, quer no relacionamento entre os próprios
secretários regionais, membros do Governo, diretores regionais que nós
sabemos que não se entendem. E quando não há estabilidade, todos nós
perdemos”, afirmou.Também referiu que o PS
“não deseja eleições” antecipadas, por considerar que os ciclos
eleitorais devem ser cumpridos e que deve ser o Governo Regional a
resolver os problemas que o próprio criou.“Mas,
não tenham a mínima dúvida, no momento em que nós acharmos que a
presença deste Governo é mais prejudicial do que a sua alternativa, do
que a alternância democrática e termos novas eleições, nós não temos
problema nenhum em votar na Assembleia Legislativa os instrumentos que
forem necessários para que essa substituição se efetue, e que o povo
seja novamente chamado a dizer o que é que acha sobre o destino que nós
devemos ter”, vincou.O líder socialista
açoriano também referiu que o executivo regional “gasta mais do que
arrecada” e que se assiste a uma degradação dos serviços públicos.Em
termos financeiros, lembrou que o Governo dos Açores nunca teve “tanto
dinheiro”, mas também nunca gastou tanto como agora, referindo que desde
que tomou posse, em 2020, teve “o equivalente a cinco orçamentos dos
Governos Regionais do PS”, que geriu a região entre 1996 e 2020.Francisco
César alertou que os efeitos da atual crise internacional “estão a
chegar” e se o ciclo for negativo, com diminuição de receitas por via da
redução do consumo e uma crise pela redução do turismo, o atual Governo
da região não terá capacidade “para responder a isso”.“Não
haverá capacidade para apoiar as empresas, não haverá capacidade para
apoiar o consumo, não haverá capacidade para pagar operações turísticas
para poder contrabalançar a diminuição que já estamos a ter do ponto de
vista do turismo, porque [os membros do Governo Regional] não planearam,
porque não têm recursos”, disse.Se a
crise se confirmar, admite que a região terá “muitas dificuldades” e o
executivo “olha para fora, para o continente, para programas europeus,
como a única solução para os problemas que tem”.César
disse que no âmbito da última solução apontada, que tem a ver com o
Programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), na
qualidade de deputado na Assembleia da República apresentou um
requerimento ao Governo, conjuntamente com o deputado Carlos Pereira.Francisco César disse que o Governo da República deu uma resposta “no mínimo curiosa”,
relacionada com “uma elencagem de todos os apoios” que a região teve
este ano, no âmbito do Orçamento regional.Assim,
vai exigir ao executivo de Luís Montenegro que, “de uma vez por todas,
diga se vai ou não vai apoiar a Região Autónoma dos Açores naquilo que
tem a ver com os investimentos no âmbito do PTRR”.“Se
o Governo Regional fala baixinho quando o Governo da República não lhes
dá aquilo que eles querem, não será o PS a falar baixo, será o PS a
exigir aquilo que efetivamente é devido”, prometeu Francisco César.Na
reunião da Comissão de Ilha do PS de São Miguel, André
Franqueira Rodrigues foi eleito presidente da mesa (sucedendo a José
San-Bento) e Cristina Calisto foi reconduzida na liderança do
secretariado.