Líder do PS/Açores diz que Orçamento é mau para a região
OE2025
16 de out. de 2024, 09:16
— Lusa/AO Online
“Nós temos muitas
preocupações com este Orçamento do Estado, também por aquilo que lá
consta, mas sobretudo por aquilo que não consta. Este é um mau orçamento
porque tem 10 falhas e dois equívocos”, afirmou o líder regional
socialista, Francisco César, numa conferência de imprensa, em Angra do
Heroísmo.Questionado sobre se os deputados
do PS eleitos pelos Açores iriam votar contra a proposta apresentada
pelo executivo da AD, Francisco César, que também é deputado à
Assembleia da República, disse que será uma “decisão coletiva”, tomada
pelo partido a nível nacional.“Tem de ser uma decisão coletiva, tendo em conta o interesse que há de nós termos ou não termos um orçamento”, adiantou.“A
pergunta que eu faço é se os deputados do PSD/Açores vão votar contra
este orçamento, porque eles votaram contra um orçamento que era muito
melhor para os Açores do que este”, acrescentou.Segundo
Francisco César, o documento apresentado deixa cair vários compromissos
com os Açores que constavam de anteriores orçamentos de governos do PS,
como a ampliação do aeroporto da Horta, a descontaminação de solos na
ilha Terceira, obras na cadeia de apoio da Horta ou a utilização de um
edifício do Estado para albergar reclusos até que estivesse concluída a
nova cadeia de Ponta Delgada.Mas há
também, apontou o líder socialista, reivindicações da coligação
PSD/CDS-PP/PPM nos Açores que não têm “qualquer menção” na proposta,
como a reconstrução do hospital do Divino Espírito Santo, afetado por um
incêndio, a comparticipação do cabo submarino interilhas ou a
reconstrução dos estragos provocados pelo furacão Lorenzo.“Este
não é um Orçamento do Estado que corresponda minimamente àquilo que tem
sido anunciado nos últimos dias. Temos sido confrontados com sucessivos
anúncios de apoios aos Açores e aquilo que esperávamos era que esses
apoios estivessem previstos no único documento em que podiam estar
previstos”, apontou.Francisco César
manifestou-se surpreendido com o montante inscrito na proposta para o
lançamento do concurso de obrigações de serviço público das rotas não
liberalizadas para os Açores, que se mantém em 9 milhões de euros.“O
concurso ficou vazio porque a verba que estava afeta não era suficiente
para que a SATA ou outra companhia aérea tivessem vontade de concorrer.
Houve uma reivindicação do Governo Regional para que esse valor fosse
substancialmente superior. Qual é a nossa surpresa quando procuramos no
Orçamento do Estado a dotação para o lançamento do concurso e o valor é
exatamente o mesmo”, revelou.O líder
socialista lamentou ainda a ausência de compromissos com investimentos
em serviços públicos nos Açores e registou a falta de referências a uma
proposta dos deputados regionais da coligação para a antecipação da
idade da reforma na região.Francisco César
acusou, por outro lado, a ministra do Ambiente, Maria da Graça
Carvalho, de ter anunciado um investimento para a reconstrução do porto
das Lajes das Flores, destruído em 2019 pelo furacão Lorenzo, que já
estava previsto em 2023.“Já havia um
anúncio aberto, a 29 de setembro de 2023, de investimento elegível na
ordem dos 198 milhões de euros, o que corresponde, grosso modo, aos 200
milhões de euros que a senhora ministra anunciou”, vincou.O
dirigente socialista disse ainda haver um equívoco quanto à Lei de
Finanças Regionais, alegando que “é falso que a região, fruto apuramento
do IVA, tenha tido menos receita”.Segundo
Francisco César, entre 2021 e 2024, a região recebeu cerca 293 milhões
de euros a mais, com as transferências da Lei de Finanças Regionais, e,
comparando os quatro anos anteriores à alteração da lei, no período
da 'troika', com os quatro anos seguintes, houve um acréscimo de 44
milhões de euros.