Líder do PPM/Açores acusa médico do Corvo de "instrumentalizar" a população
19 de mai. de 2022, 12:40
— Lusa/AO Online
“O
médico tem apenas como objetivo instrumentalizar as pessoas, não para
conseguir um refeitório escolar ou para conseguir seja o que for.
Mobiliza as pessoas para defender a sua posição, enquanto presidente do
conselho de administração. É isso que ele faz”, afirmou o deputado
monárquico, eleito pela ilha do Corvo, Paulo Estêvão, numa conferência
de imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.O
executivo açoriano, da coligação PSD/CDS-PP/PPM, exonerou, no dia 14 de
maio, o médico António Salgado de presidente do conselho de
administração da Unidade de Saúde de Ilha do Corvo, cargo para o qual
foi nomeado em dezembro de 2020 (já pelo atual executivo) por um período
de três anos.No mesmo dia, foi nomeado
para o cargo o médico Paulo Margato, que concorreu pelo PPM às últimas
eleições legislativas regionais.O
secretário regional da Saúde, Clélio Meneses, rejeitou que Paulo Estêvão
tenha tido qualquer interferência na decisão, mas António Salgado
atribuiu a decisão ao deputado monárquico, que acusou de se portar como
“dono disto tudo”.A população do Corvo
saiu à rua numa manifestação de apoio ao médico e está a decorrer um
abaixo-assinado na ilha a pedir a manutenção de António Salgado em todos
os cargos que ocupava (médico, delegado de saúde e presidente do
conselho de administração).Para Paulo
Estêvão, a população está a ser “manipulada”, tanto pelo médico, que é
militante do PCP, como por militantes do PS, que acusou de recolherem
assinaturas para o abaixo-assinado, “enganando as pessoas”.“O
teor da petição é para a manutenção de todos os cargos por parte do
médico António Salgado, mas não é isso que é dito às pessoas. Diz-se que
é para que o dr. António Salgado não seja expulso do Corvo. As pessoas
estão a ser absolutamente manipuladas”, afirmou.Numa
primeira declaração à comunicação social, António Salgado disse que
iria para outra ilha, mas, entretanto, anunciou que continuaria a
trabalhar no Corvo como médico.O deputado
do PPM alega que o médico continua, no entanto, a dizer à população que
foi “expulso” da ilha pelo Governo Regional, para se “vitimizar”.“Enquanto
diz às pessoas que está a ser expulso, pede ao Governo para que
solicite a sua transferência, porque ele não quer que as pessoas tenham
consciência de que é ele que quer sair. É o número da vitimização”,
apontou.Paulo Estêvão assegurou que nunca
esteve em causa a continuidade de António Salgado como médico, mas
apenas o seu cargo de presidente do conselho de administração, porque os
dois vogais se sentiram “desautorizados”.“Desde
o início que existiu um mau ambiente, uma forte resistência por parte
das duas pessoas que tinham durante décadas integrado o conselho de
administração anterior, que permanecem lá. O médico o que fez foi sempre
favorecer, privilegiar o relacionamento com os antigos vogais e isso
fez com que os vogais que atualmente integram o conselho de
administração se sentissem desautorizados”, avançou.Confrontado
com o facto de existir um documento assinado por seis dos sete
funcionários da unidade de saúde a pedir a reversão da exoneração de
António Salgado, o líder do PPM disse que tinham sido “todas contratadas
pelo anterior conselho de administração”, nomeado por governos do PS.Argumento
que Paulo Estêvão utilizou também para justificar o afastamento do
presidente do conselho de administração e não dos dois vogais.“Se
esse tipo de procedimento consegue triunfar, o Governo não conseguia
governar”, apontou, alegando que “não se conseguiria nomear ninguém que
não pertencesse ao PS”.Questionado sobre
um possível favorecimento político do novo presidente do conselho de
administração, que foi candidato pelo PPM nas últimas eleições
legislativas, Paulo Estêvão disse não ver qualquer “incompatibilidade”,
destacando as “competências e a “experiência” de Paulo Margato.“Compreendo
que possa ser interpretado assim e há quem esteja a manipular a
informação toda neste sentido. Eu conheço pouca gente que estivesse
disponível para se meter num vespeiro daqueles. O Governo teria muita
dificuldade que um médico assumisse funções neste contexto. É terreno
minado, com um médico que já tinha demonstrado que tinha a capacidade de
mobilizar as pessoas na defesa dos seus interesses”, justificou.Com
a nomeação de Paulo Margato, que estará no Corvo “numa parte
significativa do mês”, a ilha mais pequena do arquipélago, que tem menos
de 400 habitantes, terá, pela primeira vez, dois médicos.“As
pessoas terão a possibilidade, que nunca tiveram, de ter duas opiniões
médicas, uma coisa que é reconhecida na lei, e não ficam dependentes de
um só médico”, frisou Paulo Estêvão, alegando que António Salgado já
tinha dito anteriormente que “se sentia sozinho para tomar decisões” e
que para “qualquer situação de urgência tinham de ser quatro mãos”.