Líder do PND acusa sindicato afecto à CGTP de enganar operárias têxteis em Vila Verde

9 de ago. de 2008, 22:09 — Lusa/AO online

    Duas dezenas de funcionárias despedidas pela empresa têxtil Meneses & Pacheco, Lda., encerrada devido a penhora do fisco, dizem-se enganadas pelo Sindicato Têxtil do Minho (STM), filiado na CGTP, noticia hoje o semanário Sol.     A conselho do sindicato, as operárias estiveram cerca de três semanas frente à fábrica em Vila Verde, 24 sobre 24 horas, para impedir a saída das máquinas que garantiam o pagamento das indemnizações a que têm direito, explica o jornal Sol.     O STM terá dito às funcionárias ter dado entrada com uma acção em tribunal "que demoraria 30 a 90 dias" para resolver esta situação, mas as mulheres descobriram entretanto que não era verdade: a acção ainda não tinha avançado e bastou uma providência cautelar interposta por um advogado, inicialmente alheio ao processo, para que pudessem regressar a casa.     Quando confrontado pelo semanário, o STM rebateu as críticas, mas terá admitido que "a advogada contratada pelo sindicato poderia ter sido mais rápida".     Em declarações à Agência Lusa, o dirigente do PND, Manuel Monteiro, considerou "inconcebível que os sindicalistas do STM queiram desresponsabilizar-se" das indicações que o sindicato deu aos trabalhadores culpando o advogado, porque "o advogado segue as estratégias jurídicas em função de uma orientação política".     Manuel Monteiro considerou ainda que esta "atitude inconcebível deve alertar" todos os trabalhadores em geral, e os do distrito de Braga em particular, "para a prática e para o comportamento de uma central sindical completamente conotada com o Partido Comunista Português, que funciona hoje, como a seguir à revolução, apenas a favor dos objectivos dos comunistas portugueses".     "Penso que estão criadas todas as condições para que, pelo menos na região Minho, possa começar a pensar-se na constituição de um novo sindicato de trabalhadores, independente, que exista com o objectivo de resolver os problemas das pessoas e não para servir-se das pessoas", disse, acusando o sindicalismo português de ser, "por um lado, amorfo e, por outro lado, servir-se das pessoas, ao serviço dos interesses de um partido, neste caso do Partido Comunista Português".     "É necessário que os trabalhadores percebam que têm todas as condições, como se demonstrou, para salvaguardar os seus direitos, para ter benefícios, desde que o trabalho sindical seja diferente, porque o que deve interessar a um sindicato não é ter os trabalhadores na rua a exibir as bandeiras, mas intervir para resolver os problemas das pessoas", considerou, adiantando ainda estar disponível para "procurar também envolver-se nisso pessoalmente".     Manuel Monteiro - que já admitiu querer candidatar-se a deputado pelo círculo de Braga nas legislativas do próximo ano - considerou ainda que esta situação em Vila Verde "é um testemunho de uma falta de ética de uma central sindical que por tudo e por nada critica" os outros e que "de uma forma objectiva foi provado que a sua intervenção é muitas vezes lesiva em muitas circunstâncias para os trabalhadores e apenas benéfica para a central sindical".     "Considero inadmissível que Carvalho da Silva, que normalmente se apressa sempre a comentar tudo, agora ainda não tenha dito uma palavra sobre este assunto", salientou.     A Lusa tentou obter um comentário do dirigente da CGTP, mas não foi possível até ao momento.