Líder do PCP espera que Governo “não se deixe levar por onda caricata anticomunista”
Habitação
20 de mar. de 2023, 14:04
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa na sede do PCP sobre o tema da habitação, Paulo
Raimundo reiterou a justeza de propostas do partido já rejeitadas no
parlamento para limitar o valor das rendas e defender as famílias com
créditos à habitação, impedindo despejos, e assegurou que irá continuar a
bater-se por elas “com criatividade” e como “bandeiras de luta”.“O
pacote de medidas do Governo passa completamente ao lado dos negócios
imobiliários e da banca e não olha para eles como instrumentos
necessários à resolução do problema e tem outra opção: pegar dm
dinheiros públicos para os continuar a alimentar”, criticou. Questionado
sobre as declarações de Cavaco Silva no sábado – afirmou que a crise na
habitação “é resultado do falhanço da política do Governo" -, o líder
comunista não quis interpretar as suas intenções, mas deixou uma
certeza.“Esta situação a que chegámos hoje
tem muitos e variados responsáveis, não há forma de o
ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República se livrar das
responsabilidades a que chegámos”, afirmou.E
à pergunta se o PCP tem alguma expectativa de que o executivo ainda
possa corrigir os diplomas em discussão pública, Paulo Raimundo
manifestou o receio contrário.“Esperamos
que, no meio disto tudo, o Governo não se deixe levar por esta onda
estranha e caricata, esta onda anticomunista – em que até se acusou o
primeiro-ministro do maior comunista de todos os tempos - e não enrolem a
corda numa ou noutra coisa que está em cima da mesa”, afirmou.Paulo
Raimundo admitiu estar a referir-se à medida que prevê o arrendamento
forçado de imóveis devolutos, que considerou positiva, embora
assegurando que não será “essa cerejinha no bolo” que levaria o PCP a
votar as medidas do Governo na área da habitação.Já
sobre as responsabilidades do PCP no problema da habitação – pelo tempo
em que apoiou no parlamento um governo minoritário do PS -, Paulo
Raimundo respondeu que o impacto das taxas de juro “não se colocava há
três, quatro ou cinco anos atrás”.“Mas o problema da habitação, no médio e longo prazo, ficou arredado da nossa vida pública”, considerou.