Luís Garcia diz que região precisa de diminuir despesas
7 de set. de 2024, 08:45
— Lusa
“Nós,
efetivamente, precisamos, por um lado, de diminuir despesas, que é
difícil, e precisamos de uma revisão da lei das finanças regionais”,
disse hoje Luís Garcia aos jornalistas, a propósito das declarações do
presidente do Conselho Económico e Social (CESA) dos Açores, Gualter
Furtado, que na segunda-feira alertou para o agravamento das contas
públicas regionais e disse que a região necessita de aumentar receitas
próprias.“A autonomia democrática dos
Açores não consegue sobreviver mais uma década com o perfil orçamental
que tem e com a situação das contas públicas regionais”, alertou na
segunda-feira o antigo governante durante uma audição na Comissão de
Economia da Assembleia Legislativa dos Açores.Gualter
Furtado foi ouvido pelos deputados a propósito do quadro de programação
orçamental da região, que irá vigorar entre 2025 e 2028, mas as suas
preocupações estiveram centradas na necessidade de equilíbrio das contas
públicas do arquipélago que, no seu entender, depende muito de uma
revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas.Hoje,
questionado pelos jornalistas à margem da apresentação do roteiro da
juventude “Açores com Futuro - Jovens que inspiram”, o líder da
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) disse que
concordava com Gualter Furtado e lembrou que abordou o assunto no
discurso que proferiu no Dia da Região, em 20 de maio, na cidade da
Horta: “Se for ver o meu discurso, está lá essa problemática".“Aliás,
eu destaquei dois desafios centrais que os Açores tinham. Um o
demográfico, que tem a ver a com a fixação de jovens, e outro que tem a
ver com o seu desenvolvimento e a sua sustentabilidade em termos de
autonomia, em termos financeiros”, acrescentou Luís Garcia.E
concluiu: “Precisamos muito da revisão da lei das finanças regionais.
Precisamos de aumentar as nossas receitas próprias e precisamos muito de
ver onde é que podemos diminuir despesa”.Na
segunda-feira, o presidente do CESA também lembrou que as atuais
receitas dos Açores “nem dão para pagar as despesas de funcionamento”.“Sem
uma revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas e sem uma
alteração da economia açoriana que reforce as receitas próprias,
dificilmente a gente consegue ter viabilidade e sustentabilidade
financeira”, destacou Gualter Furtado.O
antigo secretário das Finanças dos governos de Mota Amaral manifestou
também preocupação com o impacto negativos que os juros dos empréstimos
contraídos pelos sucessivos executivos regionais estão a ter nas contas
públicas regionais.“Neste momento, já tem
um impacto gravíssimo o pagamento de juros nos contratos de renda fixa
que nós temos. Daqui a dias, chega aos 100 milhões de euros e, de
repente, estamos aqui a falar em quase 10% do plano de investimentos só
para os juros”, advertiu. O presidente do
CESA, que é eleito por uma maioria de 2/3 dos deputados ao parlamento
regional, defendeu também a necessidade de serem revistas as metas do
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nos Açores, por entender que a
região não vai conseguir atingir os objetivos a que se propôs junto da
União Europeia.Preocupações que, segundo
Gualter Furtado, se estendem também em relação à execução do Programa
Operacional 2030, que em relação à medida "recapitalização das empresas
açorianas" tem prevista uma dotação de 20 milhões de euros, mas que, até
agora, só recebeu candidaturas no valor de um milhão de euros.