Líder do Chega/Açores demite-se após cisão na estrutura regional e quer clarificação
14 de mar. de 2021, 23:14
— Lusa /AO Online
“Confirmo que o líder do Chega/Açores pediu a sua demissão e que concordou comigo na necessidade de uma clarificação eleitoral. Enquanto presidente eleito do partido, reunirei imediatamente a Direção Nacional, na chegada a Lisboa, para que, imediatamente, se desencadeie o processo eleitoral na Região Autónoma dos Açores”, confirmou à Lusa o líder nacional, André Ventura, que está este fim-de-semana no arquipélago, inicialmente só para organizar a corrida autárquica de setembro/outubro.Fonte regional do partido da extrema-direita parlamentar adiantou à Agência Lusa que Carlos Furtado pretende recandidatar-se à liderança e que o outro deputado regional do Chega, José Pacheco, também vai avançar igualmente para a disputa, previsivelmente a dois.Face ao desacordo entre os dois dirigentes regionais Chega, Ventura reuniu-se duas vezes com ambas as partes, mas, segundo a mesma fonte regional, as divergências mantiveram-se, especialmente após a polémica pública sobre o Rendimento Social de Inserção (RSI).Segundo fontes do Chega na região, os dois deputados preconizam projetos diferentes para o Chega na região, admitindo-se que, se o atual líder regional perder na eleição interna, o apoio ao Governo regional "não seja tão incisivo".A crise regional no partido populista ficou visível com uma mensagem publicada numa página de uma rede social oficial por parte de José Pacheco contra o aumento de beneficiários de RSI verificado naquelas ilhas.A publicação foi depois apagada pelo líder regional, Carlos Furtado, que escreveu que a direção regional do Chega e o próprio têm “a melhor atenção” aos problemas de “excesso RSI” e o “objetivo de se arranjar soluções eficazes, sendo que neste momento as responsabilidades”, que lhes “são imputáveis, não permitem a crítica fácil e populista”.A diminuição dos beneficiários de RSI nos Açores foi uma das ideias-chave defendidas pelo Chega na campanha eleitoral até ao sufrágio de 25 de outubro de 2020 e uma das principais nas negociações com o PSD/Açores, com vista à viabilização do novo Governo Regional, após 24 anos de poder do PS.O social-democrata José Manuel Bolieiro chefia há pouco mais de 100 dias o executivo açoriano, em coligação com CDS-PP e PPM, tendo ainda o apoio no parlamento de Chega e Iniciativa Liberal para completar a maioria parlamentar.