Líder do BE assina petição para que AR não feche “no dia em que se assinala a democracia”
19 de abr. de 2020, 12:54
— LUSA/AO online
Numa publicação nas redes sociais, Catarina
Martins deixa uma ligação para a petição lançada no sábado, e que tem
entre os primeiros subscritores os socialistas Manuel Alegre, Alberto
Martins e José Vera Jardim, o fundador do BE Fernando Rosas e a
eurodeputada deste partido Marisa Matias, o militante do PCP e
conselheiro de Estado Domingos Abrantes e a professora catedrática e
ensaísta Isabel Alegro de Magalhães.“Quando
há mais regimes autoritários do que democracias no mundo. Quando há
países europeus que usaram a pandemia para suspender democracias. Não se
trata de abrir o parlamento para festejar. Trata-se de não o fechar no
dia em que se assinala a democracia”, defende Catarina Martins, na
mensagem colocada no Facebook e no Twitter.Fonte do BE disse à Lusa que a coordenadora do BE já assinou a petição ‘online’.A
acompanhar a publicação está uma imagem de um cravo, flor símbolo da
Revolução de 1974, com o apelo “Assina a petição” e o texto que serve de
lançamento da mesma: “A democracia não está nem pode ser suspensa.
Saudamos a homenagem que o povo e o parlamento prestam ao 25 de Abril”.A
petição que defende a celebração pela Assembleia da República, colocada
‘online’ no sábado, contava ao final da manhã de hoje, com 11.800
subscritores, enquanto a que pede o cancelamento da sessão solene no
parlamento, lançada há vários dias, já recolheu mais de 71.600 apoios.No
sábado, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, anunciou que
não iria à sessão solene do 25 de Abril no parlamento por a considerar
"um péssimo exemplo para os portugueses" e o deputado único do Chega,
André Ventura, escreveu ao presidente do parlamento, pedindo a Ferro
Rodrigues que cancele a sessão solene, dizendo que esta "está a gerar um
enorme sentimento de revolta e indignação no povo português".Mais
tarde, em declarações ao jornal Público, o presidente da Assembleia da
República, Ferro Rodrigues, assegurou que, “mais do que em qualquer
outro momento, o 25 de Abril tem de ser e vai ser celebrado na AR”.“Celebrar
o 25 de Abril é dizer que não sairá desta crise qualquer alternativa
antidemocrática”, afirmou a segunda figura do Estado.Devido
às restrições impostas pela pandemia de covid-19, a Assembleia da
República decidiu na quarta-feira realizar a sessão solene do 25 de
Abril no parlamento com um terço dos deputados (77 dos 230
parlamentares) e menos convidados, com o gabinete de Ferro Rodrigues a
estimar que estejam presentes cerca de 130 pessoas, contra as 700 do ano
passado.A decisão da conferência de
líderes teve o apoio da maioria dos partidos: PS, PSD, BE, PCP e Verdes.
O PAN defendeu o recurso à videoconferência, a Iniciativa Liberal
apenas um deputado por partido, enquanto o CDS-PP - que propôs uma
mensagem do Presidente da República ao país - e o Chega foram contra.Na
sexta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa,
reafirmou que irá participar na sessão comemorativa do 25 de Abril no
parlamento, "com um número exíguo de deputados", e do 10 de Junho, numa
"cerimónia simbólica" junto ao Mosteiro dos Jerónimos."O
Presidente da República participará nas cerimónias do 25 de Abril e do
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, tal como já
tem referido publicamente. No 25 de Abril, nos termos definidos pela
Assembleia da República, aliás com um número exíguo de deputados e
meramente simbólico de convidados", salientou o chefe de Estado, numa
nota publicada no portal da Presidência da República na Internet.