Líder da oposição em Israel contesta "cidade humanitária" em Gaza
Médio Oriente
14 de jul. de 2025, 16:03
— Lusa/AO Online
O plano é construir um acampamento que sirva como “cidade humanitária”, para aí concentrar toda a população de Gaza.“Os
seus residentes terão permissão para sair? Se não, como serão impedidos
de sair? Haverá uma vedação? Uma vedação normal? Uma vedação elétrica?
Quantos soldados a protegerão?”, questionou Lapid durante a reunião
semanal do seu partido Yesh Atid no Knesset, o parlamento israelita.“O
que farão os soldados se as crianças quiserem sair da cidade? Quem as
alimentará? Quem fornecerá água e eletricidade? O que acontecerá se
houver epidemias e doenças? Quem cuidará delas?”, indagou ainda.O
ministro da Defesa israelita, Israel Katz, anunciou, há uma semana, que
o exército está a trabalhar num plano para estabelecer uma nova “cidade
humanitária” no sul de Rafah, onde se concentrariam dois milhões de
habitantes de Gaza.De acordo com Katz,
este novo campo albergaria inicialmente cerca de 600.000 palestinianos, a
maioria dos quais provindos da zona costeira de Mawasi, perto de Rafah,
onde se refugiaram muitos dos que, nos últimos meses, foram deslocados à
força pelo exército israelita de outras partes do enclave.Para
aceder a este novo campo, os palestinianos teriam de passar por um
posto de controlo de segurança e, uma vez no interior, não poderiam dali
sair, indicou o ministro da Defesa.O
líder da oposição israelita alertou que a execução de um projeto deste
tipo envolveria “gastos de milhares de milhões” de shekels (a moeda
israelita).A ONU e outras organizações de
defesa dos direitos humanos acusam o Governo liderado por Benjamin
Netanyahu de planear a construção de “um campo de concentração” em Gaza.