Libertadas em Espanha oito mulheres vítimas de rede de tráfico liderada desde o Algarve
27 de out. de 2025, 11:47
— Lusa/AO Online
A operação policial,
denominada “Aurélia-Belona”, decorreu em cooperação com a Guardia Civil,
Mossos d’Esquadra e Polícia Judiciária, e culminou com a detenção de
três pessoas, incluindo um casal que liderava a organização a partir do
Algarve, refere a agência de notícias EFE, que cita as autoridades
espanholas.O casal, um homem de 44 anos e
uma mulher de 29 anos, ambos de nacionalidade estrangeira, foi detido no
dia 07 de outubro, em Boliqueime, no concelho de Loulé, em cumprimento
de mandados de detenção europeu, por suspeita de tráfico de pessoas em
Espanha, revelou na altura a PJ.No decurso
das buscas domiciliárias efetuadas pela PJ, foram apreendidos
“instrumentos relevantes aos factos em investigação” e ainda produto
estupefaciente, canábis na fase de plantação, e um significativo número
de munições para armas de fogo de calibre proibido.A
terceira detenção ocorreu em Lérida (Espanha) e, segundo a polícia
espanhola, seria a pessoa encarregada de controlar as vítimas em
território espanhol.A rede agora
desmantelada aliciava mulheres em situação de vulnerabilidade na América
do Sul, recorrendo em alguns casos a estruturas paramilitares para
garantir as suas deslocações.Uma das
mulheres terá sido transportada por vários países asiáticos antes de
chegar a Espanha, onde continuou a ser explorada em diferentes
províncias, refere a EFE.A investigação
teve início em 2024 e culminou com buscas simultâneas em Lérida, Tudela
(Navarra), Irun (Guipuscoa), em Espanha, e no distrito de Faro
(Portugal), tendo sido libertadas oito mulheres de vários países da
América do Sul.As vítimas foram resgatadas
e estão a receber apoio especializado, conforme os protocolos de
combate ao tráfico de seres humanos.Além
de vários documentos, as autoridades apreenderam 3.800 euros em
numerário, dispositivos eletrónicos, munições, produtos estupefacientes e
outros elementos considerados relevantes para o processo, refere a EFE.Em
Portugal, os dois principais suspeitos de serem os cabecilhas da rede
enfrentam ainda acusações de tráfico de droga e posse ilegal de armas.O Tribunal de Instrução de Barcelona decretou a prisão preventiva para os três detidos.A
operação é considerada um passo significativo no combate à
criminalidade transnacional ligada à exploração sexual na Península
Ibérica, uma vez que revela a capacidade das redes para atuar em vários
países e utilizar rotas complexas para movimentar vítimas. As
autoridades sublinham que a cooperação internacional foi determinante
para interromper um esquema criminoso que se prolongava há mais de um
ano.