Liberais açorianos colocam quatro membros nos órgãos nacionais do partido
24 de jan. de 2023, 10:39
— Nuno Martins Neves/LUSA
A Iniciativa Liberal (IL) Açores conseguiu eleger quatro membros para os
órgãos nacionais do partido, no final da VII Convenção Nacional da IL,
que decorreu no fim de semana no Centro de Congressos de Lisboa, do qual
saiu o novo líder dos liberais, Rui Rocha.Nuno Barata, deputado na
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e líder da IL na
Região, foi eleito para a Comissão Executiva Nacional, ficando
responsável pela definição da políticas da regiões.Já os membros
Pedro Ferreira e Venício da Costa Ponte foram eleitos para o Conselho
Nacional do Partido, e Luís Miguel Quental, que foi candidato pela
IL/Açores à Câmara Municipal de Ponta Delgada, assumirá o seu cargo no
Conselho de Jurisdição.Foi ainda aprovada, por larga maioria dos
2300 membros inscritos na convenção, a Moção Setorial “Cumprir Portugal
no Atlântico”, da autoria de Pedro Ferreira.“A moção aponta baterias
ao esquecimento a que o Estado tem votado as suas missões e
responsabilidades nas regiões autónomas, ao nível dos serviços de
segurança pública, justiça, financiamento das Universidade e do Centro
Regional dos Açores da RTP, entre outras”, refere nota do partido.Rui Rocha vence eleições em reunião com fraturas internas expostasA
VII Convenção da Iniciativa Liberal (IL) terminou em Lisboa com a
vitória de Rui Rocha, que prometeu derrotar “o bipartidarismo” e levar
para a rua a luta contra a revisão constitucional, numa reunião longa,
crispada e dividida.No discurso de vitória das eleições internas da
IL, Rui Rocha garantiu que o partido “assume as suas responsabilidades” e
vai “liderar a oposição”, como considera que tem feito até aqui: “O
Governo pode agarrar-se ao poder, mas o Governo do PS está completamente
esgotado, está politicamente morto e fomos nós que o declarámos com a
moção de censura”.O deputado que venceu Carla Castro e José Cardoso
na corrida pela liderança dos liberais, contando com o apoio do antigo
presidente, João Cotrim Figueiredo, decretou a morte política do Governo
socialista de António Costa e reiterou o objetivo de aumentar a fasquia
eleitoral do partido dos 4,9 por cento alcançados nas últimas
legislativas para 15%.O novo líder dos liberais dirigiu-se também
diretamente ao presidente do PSD, Luís Montenegro, questionando-o sobre
de que lado vai estar na revisão constitucional, se “vai estar do lado
da liberdade ou do lado daqueles que querem retirar a liberdade aos
portugueses”, criticando confinamentos sem o escrutínio do parlamento ou
dos tribunais.Poucos momentos antes de a sala irromper em clima de
festa e apoteose ao som de “People have the power”, de Patti Smith, Rui
Rocha prometia, aliás, combater na rua em fevereiro esses objetivos que
atribui à revisão constitucional que “PSD e PS se preparam para
cozinhar”.No final de uma reunião muito crispada, Rui Rocha prometeu
uma transformação “muito rápida” no partido, dizendo querer prepará-lo
para “as batalhas” que quer travar no país.Apesar das trocas de
acusações e do ambiente tenso, Rui Rocha e Carla Castro
cumprimentaram-se e a deputada garantiu no domingo que não será oposição
ao novo presidente, com quem disse ir colaborar, considerando que o
partido sai da convenção “mais forte” e “não vai voltar a ser o mesmo”.Na
primeira vez na sua história em que teve mais do que uma lista à
liderança, o novo presidente dos liberais conseguiu 51,7% votos dos
membros inscritos, enquanto a lista de Carla Castro teve 44% dos votos, e
a de José Cardoso 4,3%.