Líbano condena ataques israelitas perto de monumentos históricos
Médio Oriente
Hoje 11:09
— Lusa/AO Online
O ministro da
Cultura libanês, Ghassan Salamé, tem "mantido contacto frequente com os
seus homólogos em todo o mundo e com organizações internacionais
relevantes para chamar a atenção para os consideráveis danos infligidos a
sítios arqueológicos e bairros históricos" no sul do país, de acordo
com a Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA).Salamé
apontou especificamente a antiga cidade de Tiro e o Castelo de
Beaufort, localizado no distrito de Nabatieh, sublinhando que "muitos
destes sítios contam com proteção reforçada pela UNESCO, tornando
imperativo protegê-los de qualquer ataque aéreo ou de artilharia
israelita".O primeiro-ministro libanês,
Nawaf Salam, sublinhou, por sua vez, que "nada justifica os ataques em
curso às regiões de Tiro e Nabatieh, nem a destruição dos seus
monumentos históricos".O Exército israelita tem bombardeado a cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano, nos últimos dias. As
autoridades israelitas avisaram na quinta-feira que iam atacar um
edifício em Tiro, que, segundo um mapa divulgado, fica muito próximo da
zona arqueológica da cidade.Aproximadamente
duas horas após o alerta, imagens da agência France-Presse (AFP)
mostraram uma bola de fogo seguida de uma coluna de fumo, indicando que
um ataque atingiu a área alvo.O Ministério
da Saúde libanês adiantou na quinta-feira que um ataque aéreo israelita
matou uma mulher e duas crianças na cidade de Shueifat nos arredores da
zona sul de Beirute, um bastião do movimento pró-iraniano Hezbollah,
anunciou o Ministério da Saúde libanês.O ataque fez também 15 feridos, incluindo três crianças e cinco mulheres, referiu o ministério em comunicado.Na
quarta-feira, um correspondente da AFP viu fumo a subir perto do
Castelo de Beaufort, uma fortaleza da época das Cruzadas, após o que
parecia ser um disparo de artilharia.A
zona de Arnoun, localizada no sul do Líbano e onde se situa o castelo,
publicou um comunicado no Facebook onde condenou "veementemente o ataque
que teve como alvo" o local, atribuindo o ataque aos bombardeamentos
israelitas e instando as autoridades a protegê-lo "de danos maiores".As
forças israelitas utilizaram o Castelo de Beaufort como base durante as
duas décadas de ocupação do sul do Líbano, que terminou em 2000.Em
novembro de 2024, durante uma guerra anterior entre Israel e o
Hezbollah, a UNESCO concedeu "proteção reforçada provisória" a 34 sítios
patrimoniais no Líbano, incluindo Tiro e o Castelo de Beaufort.Em abril do ano passado, a UNESCO acrescentou mais 39 sítios libaneses a esta lista.As
últimas hostilidades em grande escala começaram em 02 de março, quando o
Hezbollah lançou morteiros contra Israel em resposta ao assassínio do
ex-líder supremo do Irão Ali Khamenei, durante a ofensiva lançada a 28
de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra a República
Islâmica.As partes tinham antes acordado
um cessar-fogo, em novembro de 2024, ao fim de 13 meses de combates, na
sequência do ataque do grupo islamita palestiniano Hamas a Israel, a 07
de outubro de 2023, e da guerra de retaliação iniciada no mesmo dia por
Israel na Faixa de Gaza.No entanto, desde
então, Israel continuou a lançar frequentes ataques aéreos contra o país
e manteve uma presença militar em vários locais, alegando estar a atuar
contra o Hezbollah, por entre denúncias de Beirute e do próprio grupo
relativamente a tais ações.