“Levar os Açores no peito” em missão da NATO na Roménia
4 de jan. de 2026, 11:05
— Filipe Torres
Um Pelotão de Atiradores da Região Autónoma dos Açores vai integrar a 8.ª Força Nacional Destacada (FND) de Portugal numa missão internacional da NATO, na Roménia. A força é composta por 34 militares, 25 dos quais naturais do arquipélago dos Açores, e será comandada pelo Tenente Bruno Rodrigues. No total, a 8.ª FND vai levar mais de 200 militares. A partida para a Roménia está prevista para 12 de janeiro, estando prevista uma permanência de seis meses.O Açoriano Oriental entrou em contacto com três dos mais de 20 militares naturais dos Açores que irão integrar esta missão da NATO na Roménia, recolhendo testemunhos sobre a preparação e as expectativas. Objetivo de qualquer militar Para a 1.ª Cabo Bruna Mendonça, esta será a primeira missão internacional da sua carreira militar, representando a concretização de um objetivo há muito ambicionado. A militar açoriana sublinha que o destacamento permite aplicar, em contexto real, a formação e o treino acumulados ao longo do percurso profissional, reforçando simultaneamente o sentido de missão e de serviço ao País. Apesar do natural nervosismo associado à partida e à distância da família, Bruna Mendonça destaca a confiança no trabalho desenvolvido ao longo do último ano, marcado por uma preparação exigente e rigorosa. A militar acredita que esta experiência irá contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional, reforçando a maturidade e permitindo, no futuro, partilhar os conhecimentos adquiridos com outros camaradas que não integram a missão. Oportunidade única num contexto multinacionalO Sargento Pedro Simas, que já participou anteriormente numa missão de formação na Alemanha, encara este destacamento como mais um momento marcante na sua carreira. Para o militar, integrar uma Força Nacional Destacada é uma oportunidade única de representar Portugal num contexto multinacional, aplicando no terreno a doutrina e os procedimentos treinados em território nacional. O sargento açoriano identifica como principais desafios a adaptação a um ambiente linguístico, cultural e operacional diferente, bem como a distância da família e da Região Autónoma dos Açores. Ainda assim, sublinha a importância estratégica da missão, destacando que a presença de forças da NATO no leste da Europa reforça a segurança coletiva e a capacidade de dissuasão da Aliança perante potenciais ameaças. Missões como escola de experiência e partilha Também o Cabo Adjunto Braga integra a 8.ª FND, naquela que será a sua segunda missão internacional, depois de um destacamento no Afeganistão, em 2021. Para o militar, as missões constituem o momento em que o trabalho do Exército ganha maior significado, permitindo sentir que o esforço diário se traduz numa contribuição concreta e útil, tanto a nível operacional como humano, assumindo que, apesar de não perspetivar continuar no Exército, esta experiência representa uma mais-valia para o seu percurso profissional. A preparação para a missão na Roménia incluiu treino operacional, avaliações físicas, psicológicas e de saúde, garantindo que todos os militares se encontram aptos para um destacamento prolongado. O Cabo Adjunto Braga destaca ainda a importância de trazer a experiência adquirida no estrangeiro para o território açoriano, contribuindo para a formação de novos militares e para o fortalecimento da instituição. Um compromisso coletivo Os militares açorianos sublinham que a missão envolve também as famílias e amigos que ficam na Região, cujo apoio é fundamental. Representar os Açores e Portugal no estrangeiro é, para estes militares, motivo de orgulho e responsabilidade.