Leterme volta a liderar governo
Bélgica
18 de jul. de 2008, 11:41
— Lusa/AO online
Alberto II, que como os analistas políticos previam desenhou uma solução antes do dia nacional da Bélgica (celebrado na próxima segunda-feira), deixou claro que Leterme, democrata-cristão flamengo, ficará à frente de um executivo que irá concentrar-se essencialmente no domínio socio-económico.
Em paralelo, o monarca encarregou três personalidades belgas de procurar uma solução para o relançamento "credível" do debate sobre a reforma do Estado, dado que Leterme demonstrou a sua incapacidade de negociar um acordo entre a região da Flandres (de língua neerlandesa) e da Valónia (francófona e minoritária, representando 40 por cento dos 10,5 milhões de belgas).
Os três "sábios" são o deputado francófono de Bruxelas François-Xavier de Donnea (liberal), o deputado valão Raymond Langendries (democrata-cristão) e o ministro-presidente da pequena comunidade belga de língua alemã (cerca de 100 mil habitantes, geograficamente situados na Valónia), Karl-Heinz Lambertz (socialista).
Estes mediadores terão como missão preparar o terreno para um acordo entre as duas grandes comunidades linguísticas e, principalmente, convencer os partidos da Flandres que os seus homólogos da Valónia estão dispostos a entrar num diálogo "sem tabus".
No final deste mês, o trio negocial terá que apresentar um relatório sobre os progressos já conseguidos e a sua missão deverá durar até ao Outono.
A transferência de poderes federais para as regiões e a redefinição da circunscrição eleitoral Bruxelas-Hal-Vilvorde, são as duas grandes exigências flamengas, contestadas pelos francófonos, que temem perder verbas e poder político.
Se esta nova tentativa de acordo entre as duas comunidades falhar, o cenário apontado como mais provável é a convocação de eleições legislativas antecipadas em Junho do próximo ano, ao mesmo tempo que as regionais.