Lesados do Banif pedem audiência ao Presidente da República
9 de nov. de 2018, 18:01
— Lusa/AO Online
O pedido formal chegou a Belém na terça-feira e foi feito pelos lesados
do Banif, representados pela associação ALBOA, na sequência das
declarações de Marcelo Rebelo de Sousa no dia 02 de novembro, no
Funchal.Há uma
semana o Presidente da República foi abordado por lesados do BANIF que
se manifestaram no Funchal e prometeu-lhes que iria "inteirar-se do
assunto".Na
carta enviada pela ALBOA, os lesados explicaram como perderam o seu
dinheiro e pediram a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa para
agilizar uma solução para o problema. "Porque
sabemos do seu empenho em, de alguma forma, contribuir para a resolução
de problemas de contornos humanitários e até dramáticos, como é o caso,
vimos solicitar uma audiência com Vossa Excelência para o melhor o
informar da situação, que urge ter solução rápida", afirmaram.Os
Lesados do Banif lembraram que já explicaram mais de uma vez, a membros
da Casa Civil do Presidente, que "são vítimas de uma conjuntura em que o
Estado tem, de forma indelével, responsabilidades marcantes".Salientaram
que "o Banif já se encontrava intervencionado pelo Estado" quando o
Departamento Comercial do banco transmitiu orientações aos seus serviços
"para abordarem os pequenos aforradores da instituição a fim de os
convenceram a aplicar as suas poupanças, muitas vezes de toda uma vida,
em compras de Obrigações do Banco, com o argumento de que seria um
investimento garantido e seguro, tão seguro como na CGD, já que o Banco
estava nacionalizado"."Esta
campanha, de contornos persuasivamente insistentes a tocar o agressivo,
foi executada na Madeira, nos Açores, no Continente e nas Comunidades
de Emigrantes portuguesas (com prevalência para as da Venezuela, África
do Sul e Costa Leste dos EUA) junto de pessoas na sua esmagadora maioria
modestas, de escassos estudos e sobretudo de baixíssima literacia
financeira", referiram na carta.Os
lesados afirmaram ainda na carta que têm documentos internos do Banif
que "revelam as orientações vigorosas dadas aos comerciais do banco para
conseguirem levar a cabo, a todo o custo, a referida estratégia de
venda de Obrigações, assim como temos testemunhos de, por exemplo, nos
Açores, as operações de venda terem por vezes sido feitas junto de
pastores em pleno campo de pastagens de animais". "Ao
contrário do BES/Novo Banco, em que houve crime de falsificações de
contas, no Banif é o bom nome do Estado que está em causa, pois foi à
sombra da sua garantia que se realizaram as transações", consideraram.Os
lesados terminaram a carta pedindo ao Presidente da República que, no
âmbito das suas competências, os ajude "a fim de o Estado encontrar uma
solução justa para estes escassos milhares de pessoas que acreditaram no
Estado, em nome do bom nome do Estado, da justiça e dos princípios do
humanismo".O
Banif foi adquirido pelo Santander Totta por 150 milhões de euros, em
2015, na sequência de uma resolução do Governo da República e do Banco
de Portugal, através da qual foi criada a sociedade-veículo Oitante,
para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não
adquiriu.Neste
processo, cerca de 3.500 obrigacionistas subordinados e acionistas
perderam 263 milhões de euros, havendo ainda a considerar 4.000
obrigacionistas Rentipar ('holding' através da qual as filhas do
fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que
investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais
cerca de 25 mil são oriundos da Madeira.