“Ler Açores” quer combater a iliteracia promovendo a leitura em todas as idades
28 de mai. de 2020, 15:09
— Lusa/AO Online
“É
um plano regional de leitura contra o analfabetismo primário, hoje,
felizmente, residual, próprio daqueles que não sabem ler, porque nunca
aprenderam a ler. Contra o secundário, hoje ainda abundante, porque
próprio dos que, sabendo ler, não o fazem”, afirmou o secretário
regional da Educação e Cultura.Avelino
Meneses, que presidia à sessão de apresentação do programa “Ler Açores”,
que se realizou na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta
Delgada, esclareceu que a iniciativa alcança todas as faixas etárias,
dividindo-se em quatro subprogramas.Assim,
para os públicos mais novos, foram criados o “Ler para Crescer”, para
crianças e jovens dos 0 aos 14 anos, assente no triângulo biblioteca,
escola, família, “com particular envolvimento de pais e professores”, e o
“Ler para Aprender”, dirigido a jovens entre os 15 e os 25 anos,
promovendo a leitura literária, explicou o governante.Para
os que têm mais de 25 anos, o executivo optou pela “promoção da leitura
como meio de lazer”, com a iniciativa “Alargar Horizontes”, mas prevê,
ainda, o “desenvolvimento do diálogo intergeracional”, com os
“Territórios de Leitura”, que chegam a todas as idades.Sob
a coordenação da Direção Regional da Cultura, em colaboração com a
Direção Regional da Educação, mas trabalhando, também, em parceria com
outros departamentos governamentais, como a Secretaria Regional da
Solidariedade Social, já que se enquadra nos eixos da Estratégia
Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social, o “Ler Açores” passa a
agregar o Plano Regional de Leitura, a Rede de Leitura Pública e a Rede
Regional de Bibliotecas Escolares.Para
tal, serão integrados os trabalhos desenvolvidos, não só pelas
bibliotecas escolares, mas também pelas três bibliotecas públicas
regionais e pelas várias bibliotecas municipais da região.Segundo
a diretora regional da Cultura, Susana Goulart Costa, a intenção é
“rentabilizar todo o trabalho local que já está a ser desenvolvido com
estas redes, que já existem, mas também alargar”.A
governante acrescentou que este programa vai também “cativar outras
entidades, outros corpos, que também trabalham com a leitura,
nomeadamente, os Museus Regionais e de Ilha, as Casas do Povo,
Instituições de Solidariedade Social e as Sociedades Recreativas e
Filarmónicas”.“O que se pretende é uma
abordagem integrada, de parceria, de conjugação de esforços, com ênfase
particular no leitor”, concretizou.Com
este modelo, o executivo regional tem como principal objetivo a promoção
da leitura, mas espera, também, “assumir a diversidade de suportes” de
leitura, apostar na leitura enquanto estratégia de intervenção social,
trabalhar em parceria com “um conjunto alargado de instituições e de
pessoas” e atribuir a bibliotecas públicas, escolares e municipais um
papel estruturante, já que estas têm uma “aproximação muito frequente e
muito ágil com a população local”, explicou Susana Goulart Costa.Pretende-se, ainda, “diversificar a leitura”, abrangendo textos literários, científicos, técnicos e artísticos.Este
programa, considerou Avelino Meneses, “altera razoavelmente o conceito
tradicional que temos de biblioteca”, que passa “agora a ser entendida
como uma comunidade de leitores, com exigências diferenciadas, que
obrigam à diversificação dos suportes, do físico ao digital”.