Leitão Amaro defende estratégia de comunicação do Governo e acusa PS de oportunismo
Apagão
30 de abr. de 2025, 16:37
— Lusa/AO Online
"Quando muitos se
prendem nas críticas à comunicação, no país aqui ao lado, Portugal é
destacado como um exemplo na eficácia da gestão da crise e na
comunicação", defendeu António Leitão Amaro, que falava na comissão
permanente do parlamento num debate de urgência agendado pelo PCP sobre o
apagão elétrico de segunda-feira.Depois
de várias críticas da oposição em relação à estratégia comunicacional do
Governo durante este evento, nomeadamente do PS, Leitão Amaro
argumentou que "aqueles que se focam a discutir dificuldades na
comunicação pública é porque reconhecem que o essencial funcionou".Momentos
mais tarde, dirigindo-se diretamente ao PS, o ministro lamentou que os
socialistas "em vez de saudarem" o facto de não terem existido vítimas,
tentem ser "oportunistas sobre uma desgraça que não aconteceu".O
ministro salientou que o executivo tentou comunicar com a população
através de "todos os canais, das televisões às redes sociais, do SMS à
rádio"."Privilegiámos a rádio, porque
nestas situações sabemos ser o meio mais resiliente. A interrupção da
eletricidade deu-se às 11:33. Eu próprio, em nome do Governo, menos de
uma hora depois, estava a comunicar através das rádios e televisões ao
país. O primeiro-ministro falou três vezes nesse dia, a primeira das
quais às 15:05. Ministérios, autoridades, fornecedores de energia foram
emitindo informações e avisos às populações durante o dia pelos meios
que tinham disponíveis", elencou.De acordo
com Leitão Amaro, o executivo procurou garantir "que se comunicava o
que era necessário, sem nunca entrar em oportunistas exercícios de
propaganda política".O governante realçou
que toda a crise exigia "uma liderança serena e competente" e "assim
agiu o Governo", que declarou situação de crise energética, ativou os
mecanismos de coordenação de contingência em crise previstos na lei e
garantiu o abastecimento prioritário aos serviços essenciais, aos
hospitais, forças de segurança, transportes e à Proteção Civil.Na
abertura do debate, Leitão Amaro afirmou que o apagão elétrico do
passado dia 28 “foi grave, inédito e inesperado” e um “momento
definidor”, deixando a pergunta: “E se corresse mal?”.O
Governo, de acordo com o ministro, deu “prioridade absoluta à
continuidade dos serviços de saúde mais críticos”, preparou “a noite com
as forças de segurança para que o caos não se instalasse” e geriu
“incontáveis emergências” e o resultado foi "zero vítimas".Leitão
Amaro realçou que Portugal recuperou a eletricidade “mais rápido” do
que Espanha, sem a ajuda externa de que aquele país beneficiou, e
apontou que até “antigos governantes do PS” realçaram que o executivo
foi “bem-sucedido”.O ministro reconheceu,
contudo, que “todos têm que aprender com esta emergência” e por isso o
Governo avançou com a criação de uma comissão técnica e independente e
pediu uma auditoria independente à União Europeia.Numa
primeira ronda de pedidos de esclarecimento, o deputado do PS Pedro Vaz
deixou um conjunto de perguntas específicas ao Governo, que acabaram
por não ser respondidas. O socialista queixou-se e Leitão Amaro pediu
que todos os partidos enviassem as suas perguntas por escrito.Pelo
BE, Mariana Mortágua insistiu que Portugal tem “um problema de
segurança pelo facto de a rede elétrica nacional ser hoje propriedade de
um Estado estrangeiro” e pelo PCP, Paula Santos argumentou que o apagão
“deixou mais visível os interesses que estão na base da gestão do
sistema elétrico português” que “não são os interesses nacionais”.O
deputado do Livre Paulo Muacho insistiu no envio de um questionário
para averiguar as consequências do apagão em instituições públicas, e a
líder do PAN, Inês Sousa Real, pediu uma reflexão sobre a “soberania
energética”, defendendo o recurso a energias renováveis.