Leïla Olivesi, Tyreek McDole e SF Jazz Collective no festival Angrajazz nos Açores
Hoje 15:03
— AO Online/Lusa
“Fomos convidados há 27 anos para organizar um
festival de jazz (…). Pensamos que cumprimos absolutamente os objetivos
que tínhamos, que era apresentar um festival de grande qualidade e que
marcasse o calendário. E, de facto, hoje em dia ninguém tem dúvidas de
que o Angrajazz está no calendário nacional do jazz”, afirmou José
Ribeiro Pinto, da Associação Cultural Angrajazz, na apresentação do
cartaz.“Todos os grandes amantes do jazz
sabem que existe o Angra Jazz e todos eles gostariam de vir ao Angra
Jazz. E muitos vêm, felizmente. Nós temos cerca de 27% de público que
vem de fora da ilha para assistir ao Angra Jazz”, acrescentou.Este
ano, o festival, que decorre em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, assinala o centenário do nascimento de "duas figuras
absolutamente incontornáveis na história do jazz", Miles Davis e John
Coltrane.O festival arranca no dia 02 com a
Orquestra Angrajazz, “a orquestra amadora mais antiga do país”, que
este ano convida músicos do Conservatório de Angra do Heroísmo e da
Escola de Jazz do Hot Club.Com direção de
Pedro Moreira, a orquestra vai revisitar os álbuns “Miles Ahead” e
“Porgy and Bess”, que resultaram de uma parceria entre o trompetista
Miles Davis e o compositor Gil Evans.Ainda
na primeira noite do festival sobe ao palco do Centro Cultural e de
Congressos de Angra do Heroísmo o octeto da pianista francesa Leïla
Olivesi, com o projeto “African Rhapsody”.José
Ribeiro Pinto sublinhou que a pianista e compositora, que tem uma
“grande carreira”, foi “eleita várias vezes 'Músico do Ano' em França”.A
segunda noite abre com o pianista e compositor português Pedro Neves,
que, depois de vários discos gravados em trio, lançou “Northern Train”, o
seu primeiro álbum em quarteto, “muito aplaudido pela crítica”.Segue-se
o quarteto do cantor haiano-americano Tareek McDole, “eleito pela
revista Jazz Magazine revelação do ano de 2025” e vencedor do prémio
Jazz Vocal Sarah Bogdan, em 2023.No último
dia, o festival acolhe o duo do pianista Aaron Parks e do saxofonista
Walter Smith III, dos Estados Unidos, que tocam baladas de John Coltrane
e composições em que se inspiraram na música do saxofonista
norte-americano.“Eles formaram este grupo
para celebrar os 100 anos do John Coltrane, a pedido de uma organização
belga, e vêm fazer quatro concertos à Europa. E ofereceram-se para vir
cá. Portanto, isto demonstra bem a importância que o Angrajazz tem na
cena do jazz, já não só na nacional como na internacional”, revelou
Miguel Cunha, da Associação Cultural Angrajazz.O
festival encerra novamente com sons dos Estados Unidos, com o SF Jazz
Collective, que, este ano, convidou o saxofonista Chris Potter para
reunir um septeto e compor música inspirada na exposição “About Place”,
dos Museus de Belas Artes de São Francisco.“O New York Times diz que é a banda contemporânea mais importante do jazz”, vincou José Ribeiro Pinto.Além
dos três dias de festival, a associação promove ainda o Jazz na Rua, na
semana que o antecede, em que leva bandas locais e nacionais a cafés e
locais públicos da cidade de Angra do Heroísmo.No
total, o orçamento ronda os 120 mil euros, com apoios públicos e
privados e uma receita de bilheteira prevista de 20 mil euros.José
Ribeiro Pinto lamentou a imprevisibilidade da atribuição de apoios do
Governo Regional dos Açores, alegando que só é possível organizar o
festival porque a associação trabalha de forma gratuita e tem uma
“almofada” para fazer face ao tempo de espera.“Nós,
neste momento, não fazemos a mínima ideia se o Turismo [direção
regional] vai dar alguma coisa ou não vai dar. Nos últimos anos, deu 25
mil euros. Este ano, diz-se que vai baixar, que não vai dar. Não sabemos
e são 25 mil euros”, apontou.Com maior
previsibilidade, a organização alega que poderia trazer grupos maiores
ou nomes mais sonantes a um melhor preço, mas José Ribeiro Pinto não
acredita que o festival deixe de ser apoiado.“Vai
ser preciso ter muita coragem para não apoiar o Angrajazz, porque o
Angrajazz é uma instituição. Toda a gente sabe, em toda a região, em
todo o país e pelo mundo fora. Por exemplo, a gente todos os dias recebe
emails de músicos estrangeiros a oferecerem-se para vir tocar ao
Angrajazz”, frisou.Este ano, o preço dos
bilhetes aumentou um euro. O ingresso diário custa entre 16 e 23 euros e
o pacote para os três dias entre 41 e 64 euros, havendo ainda bilhetes
diários de sete euros para maiores de 65 anos e menores de 25.“Temos
sempre muito cuidado na conservação dos públicos e vivemos numa região
que não é propriamente rica. Temos plena consciência de que os preços
que apresentamos aqui são praticamente irrisórios quanto a outros
festivais ou outros palcos nacionais, mas também temos consciência do
público que temos e das limitações do público”, justificou Luís Mendes,
da associação Angrajazz.O município de Angra do Heroísmo apoia o festival em 30 mil euros e antecipa o valor estimado da bilheteira de 20 mil euros.“É
um apoio bastante considerável. É um apoio que é dado pelo município
também tendo a noção da importância que este festival tem pela forma
como consegue atrair o público, não só de cada ilha, mas também
proveniente de fora da ilha Terceira”, salientou o vice-presidente da
autarquia, Guido Teles.