Lei sobre violência obstétrica será discutida na especialidade
11 de jul. de 2025, 15:41
— Lusa/AO Online
Os
deputados votaram seis projetos de lei a propósito do diploma contra a
violência obstétrica, aprovado em março deste ano, tendo sido rejeitados
quatro desses projetos de lei - do PSD, Chega e dois do PAN. Os
dois projetos de lei que baixaram à nona comissão, sem votação, são do
CDS-PP e do Livre. Por um lado, o CDS-PP quer revogar a lei que define
um enquadramento legal para o conceito de violência obstétrica e, por
outro lado, o Livre pretende que esta lei não desapareça e que seja
alargado o conceito de violência obstétrica. Apenas o PSD votou contra a discussão na especialidade sem votação do projeto de lei do Livre. Esta
discussão partiu da entrega, em junho, de um projeto de lei do CDS-PP
que sugeriu a revogação da lei aprovada em março a partir de propostas
do Bloco de Esquerda e do PAN.No segundo
artigo da lei, são considerados como violência obstétrica os atos
físicos e verbais exercidos por profissionais de saúde que tenham como
base um comportamento desumanizado, abuso de medicalização ou
"patologização dos processos naturais, desrespeitando o regime de
proteção", desde a preconceção até ao nascimento.Esta
lei permitiu também a criação de um enquadramento legal para a
episiotomia [um corte no períneo para ampliar o canal de parto],
promovendo a sua erradicação como prática rotineira, tal como recomenda a
Organização Mundial de Saúde.Durante a
discussão, que decorreu esta manhã, todos os partidos concordaram que a
lei deve ser debatida na especialidade, com o PSD e o CDS isolados na
defesa da eliminação do conceito de violência obstétrica.A
lei aprovada em março surgiu de duas propostas do Bloco de Esquerda e
do PAN, tendo agora os dois partidos admitido a possibilidade de
discutir também o conceito de violência obstétrica em especialidade.