Lei cibersegurança proíbe fornecedores de elevado risco e permite 'ethical hacking'
6 de fev. de 2025, 17:47
— Lusa/AO Online
António
Leitão Amaro falava aos jornalistas no final da reunião do Conselho de
Ministros que aprovou a proposta de lei do novo regime jurídico de
cibersegurança, que transpõe a diretiva europeia NIS2 [Network and
Information Security]."Esta foi uma
consulta pública, como vos disse, muitíssimo participada", pelo que
"tivemos que a estender porque havia um interesse tão grande, 149
contributos que levaram a algumas alterações relevantes", salientou o
governante."Queria também destacar, entre
essas várias medidas que adotámos, também soluções inovadoras e
criativas, como a exclusão de responsabilidade criminal no chamado
'ethical hacking', quando há uma, se quiserem, uma função e uma atuação
de prevenção de identificação de vulnerabilidades com intrusão, mas
sempre com a vantagem e com o interesse de proteger os sistemas
informáticos de um terceiro", apontou. A
diretiva permite, "e há países que o poderão não querer fazer, mas nós
entendemos que vale a pena", acrescentou, quando questionado sobre o
'ethical hacking'."Há pessoas que se
dedicam num espírito - e isso tem de ser demonstrado no caso - de defesa
do interesse comum e da segurança comum a identificar vulnerabilidades
em sistemas de outras organizações", prosseguiu.E
"podem fazer incursões nesses sistemas, identificar a vulnerabilidade
se e desde que reportem a vulnerabilidade e não tenham retirado
vantagem, dados para si, ou para terceiros, com essa atuação, o
'hacking' que existe é considerado 'ethical'", explicou o ministro."Ou
seja, ético, ou seja, de interesse público, ou seja, uma parceria, se
quiser, pública-privada para policiamento das vulnerabilidades",
especificou Leitão Amaro.Neste caso, a
opção do Governo é "achar que há um ganho nessa parceria
público-privada" e, por isso, "devemos excluir a responsabilidade"
mediante o cumprimento daqueles requisitos, apontou.Este
é "também um regime jurídico que permite a proibição de fornecimentos e
fornecedores e equipamentos de elevado risco para a segurança
nacional", destacou.Trata-se de um
"conjunto amplo de medidas que naturalmente iremos discutir com o
parlamento, mas numa versão já muito robustecida que coloca Portugal
entre os primeiros a ter o seu novo regime jurídico de cibersegurança
avançado, mas tendo um grande equilíbrio entre nível muito elevado de
proteção e de segurança, que vai implicar um grande esforço e uma grande
adaptação a nível nacional e custos".Mas,
por outro lado, "mitigar ao máximo esses custos, é uma reforma
verdadeira de um espaço que tem sido esquecido", rematou António Leitão
Amaro.