Leão XIV adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso
Papa/Angola
Hoje 11:56
— Lusa/AO Online
“Com
efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos
violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando
a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade
de poucos”, declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne
milhares de pessoas na esplanada de Saurimo.Leão
XIV, que se referiu ao “comércio supersticioso, no qual Deus se torna
um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve”,
salientou que Cristo “não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a
sua conversão”. “Não manda embora a
multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração.
Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura
irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder
com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o
sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é
preciso seguir e imitar a sua iniciativa”, apelou.A
Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o
crescimento de rituais associados a superstições, questão muito presente
no Leste de Angola, região onde a evangelização cristã foi mais tardia.“Até
os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam
então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos
precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto,
compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo
quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte”, advertiu.O
Papa citou o Evangelho – “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais
miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” – para
afirmar que Cristo pergunta se é procurado “por gratidão ou por
interesse, por cálculo ou por amor”.Leão
XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de
Saurimo, foi a “Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias”. “Não
viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos
nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de
opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo,
dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da
morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos
os dias”, declarou.