Leão admite “imprevisibilidade” mas garante crescimento do PIB em cenário adverso
Ucrânia
14 de mar. de 2022, 16:37
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, estamos trabalhar num cenário base, que é também ao nível
europeu e em Portugal, que ainda assenta numa recuperação significativa
[da economia] este ano”, garantiu João Leão.Falando
aos jornalistas portugueses em Bruxelas, à entrada para uma reunião dos
ministros das Finanças da UE, o responsável pela tutela salientou que,
“mesmo que a economia tivesse momentos mais difíceis este ano, em que
não houvesse grande crescimento em cadeia, Portugal tem um impulso que
vem da forte recuperação do final do ano passado e que permite, mesmo
num cenário mais adverso, admitir um crescimento bastante
significativo”.Até
porque “Portugal destaca-se a nível europeu como um dos países que
espera que cresça mais em toda a Europa”, segundo as previsões da
Comissão Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico (OCDE), acrescentou.“Estamos
a trabalhar num cenário que está mais em linha com o que está
construído ao nível europeu, de que há uma revisão em baixa, mas que
ainda dá uma perspetiva de forte crescimento este ano”, insistiu João
Leão.Ainda
assim, o governante alertou para a “possibilidade de, se a situação na
Ucrânia se agravar e se for um conflito que durar muito tempo e com
repercussões sobretudo ao nível da parte energética e no fornecimento de
gás, pode ter consequências mais graves ao nível da produção ao nível
europeu”.“E,
nesse contexto, o cenário pode ser ainda mais adverso e, nesse contexto
de cenário mais adverso, ainda se espera um crescimento este ano porque
[…] partimos de um nível pós-pandemia e, portanto, há muita margem de
recuperação da economia”, afincou.Segundo
o ministro, a condicionar esta recuperação está, ainda assim, o “tipo
de sanções que foram aplicadas e da forma como a Rússia retaliar com
sanções”, nomeadamente na área energética.Já
questionado sobre a crise da energia, numa altura de aumentos
significativos no preço dos combustíveis em Portugal, João Leão
reconheceu que “o impacto tem sido bastante acentuado e há uma grande
incerteza sobre a evolução nos próximos tempos”.“O
que é importante, neste contexto, é manter a capacidade de os países
apoiarem as empresas e as famílias neste processo exigente e o Governo
português tem estado a tomar um conjunto de medidas e ainda tem de
implementar um [outro] conjunto de medidas importantes para ajudar neste
processo”, concluiu, recordando ainda a “orientação estratégica de
reduzir a dependência do gás russo”.A
Comissão Europeia propôs, na semana passada, a eliminação progressiva
da dependência de combustíveis fósseis da Rússia antes de 2030, com
aposta no GNL e nas energias renováveis, estimando reduzir, até final do
ano, dois terços de importações de gás russo.A
comunicação surgiu numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia
provocado pela invasão russa, tensões geopolíticas essas que têm vindo a
afetar o mercado energético europeu, já que a UE importa 90% do gás que
consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas
importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros.