Lavrov marcará presença em Nova Iorque durante presidência russa do Conselho de Segurança
4 de abr. de 2023, 11:05
— Lusa/AO Online
A Rússia
assumiu no início de abril a presidência mensal rotativa do Conselho de
Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo anunciado dois
eventos durante a sua liderança: um debate aberto dedicado ao tema
“Riscos derivados de violações dos acordos que regulam a exportação de
armas e equipamentos militares”; e um debate de nível ministerial,
presidido por Lavrov, sob o título “Multilateralismo eficaz através da
defesa dos princípios da Carta da ONU”, que contará com um ‘briefing’ do
secretário-geral da organização, António Guterres.A
par de participar no debate sobre o multilateralismo, agendado para 24
de abril, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo vai presidir ao
debate trimestral sobre a situação no Médio Oriente, com foco na questão
da Palestina, no dia 25.O programa para o
mês de abril foi apresentado hoje pelo embaixador russo junto da ONU,
Vasily Nebenzya, que abordou as críticas que lhe foram dirigidas por
países ocidentais por assumir a presidência rotativa do Conselho de
Segurança."Alguns países pensam que podem
decidir o funcionamento do Conselho de Segurança, mas não lhes cabe a
eles decidir", afirmou Nebenzya.O
diplomata russo avaliou ainda que as tentativas de impedir a sua
presidência são "sinais de desespero que não afetarão" o seu trabalho e
garantiu que a sua missão não abusará das "prerrogativas como presidente
do Conselho".Na conferência de imprensa
de hoje para apresentar o seu programa, Nebenzya foi ainda questionado
sobre "se tinha pesadelos" com uma possível guerra nuclear."Sobre
a guerra nuclear, durmo bem, porque sei que, pelo menos nós, não
estamos a pedir uma guerra nuclear. Não estamos a ameaçar com a guerra
nuclear. Toda essa narrativa de que a Rússia está a ameaçar o mundo com
armas nucleares também faz parte da propaganda", disse."Há
muito tempo que dizemos consistentemente que isso não está na nossa
doutrina militar, que prevê pouquíssimos casos em que as armas nucleares
podem ser empregadas. E essa definitivamente não é a situação que está
na nossa doutrina nuclear", acrescentou. Sobre
a deslocação de Lavrov aos Estados Unidos, Vasily Nebenzya não
descartou um encontro entre o ministro russo e o secretário de Estado
norte-americano, Antony Blinken, se este o solicitar."Acho
que depende de dois fatores: o primeiro, onde Blinken estará naquele
momento; e da sua capacidade e vontade de se encontrar com o nosso
ministro (...). Se o secretário Blinken quiser fazer uma reunião, é
claro que a ocasião será proporcionada", frisou."A Rússia nunca foge de reuniões com quem as solicita", acrescentou Nebenzya.O
programa da presidência russa contará com vários eventos sobre o
continente africano, com reuniões sobre o Mali, Saara Ocidental, Líbia
ou República Democrática do Congo.Além do
debate trimestral sobre a situação no Médio Oriente, outros assuntos
relacionados com essa região estão no programa deste mês, como reuniões
sobre a situação no Iémen e sobre as questões políticas e humanitárias
na Síria.Reuniões sobre a Missão de
Verificação da ONU na Colômbia e sobre o Escritório Integrado da ONU no
Haiti também foram agendadas pela Rússia.No
que diz respeito às questões europeias, haverá um ‘briefing’ sobre o
trabalho da Missão de Administração Interina das Nações Unidas no Kosovo
(UNMIK). Sobre a Ucrânia, a Rússia está a
planear realizar na quarta-feira uma reunião em formato 'Fórmula Arria'
(reuniões informais com representantes da sociedade civil) subordinada
ao tema “Crianças e conflito armado: crise ucraniana, retirada de
crianças da zona de conflito”.Esta reunião
ocorre depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em
Haia, ter emitido em 17 de março um mandado de detenção do Presidente
russo, Vladimir Putin, por crimes de guerra na Ucrânia, pelo seu alegado
envolvimento na deportação para a Rússia de crianças de territórios
ucranianos ocupados.A Rússia (um dos cinco
membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto) assumiu
este mês a presidência rotativa do órgão, que tem capacidade de fazer
aprovar resoluções com caráter vinculativo.Nas
últimas semanas, o representante permanente da Ucrânia junto das Nações
Unidas, Sergiy Kyslytsya, apelou publicamente à organização para que
não permitisse a presidência russa."Na
noite da invasão [russa da Ucrânia], [o secretário-geral da ONU] António
Guterres classificou-o de 'o dia mais triste do seu mandato'; na
verdade, o dia mais triste da história da ONU será o 01 de abril de
2023, quando, a menos que a justiça prevaleça, a Rússia assumir a
presidência do Conselho de Segurança", disse recentemente Kyslytsya na
rede social Twitter.A ofensiva militar
russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado,
mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais
grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).