Lancha "Espalamaca" recuperada para “museu vivo” e formação
8 de ago. de 2023, 08:14
— Lusa/AO Online
“Espero
que no verão do ano que vem possamos ter a ‘Espalamaca’ não só
recuperada, mas a navegar”, disse hoje José Manuel Boleiro aos
jornalistas, no porto de Santo Amaro, no concelho de São Roque do Pico,
na ilha do Pico.O presidente do Governo
açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), que presidiu à cerimónia de cedência de
gestão da lancha “Espalamaca” à Associação para o Desenvolvimento e
Formação do Mar Dos Açores (ADFMA), salientou que o seu executivo
resgatou “um património que é a identidade do canal” e que, “por empenho
cívico e político, agora se transforma numa realidade”.“Por
isso, é que tive a oportunidade de dizer [no discurso] que, com este
Governo, estamos a passar de um sonho a uma expetativa. Daí ter assumido
um encargo cronologicamente definido. Espero que no verão do ano que
vem possamos ter a ‘Espalamaca’ não só recuperada, mas a navegar”,
declarou.Numa declaração enviada à Lusa,
explicou que o objetivo anunciado é “outra referência diferenciadora do
que eram perspetivas antigas”: “Que era apenas [a lancha] ser um museu
de memória. E, vai passar a ser um museu, mas um museu vivo de ação e
navegabilidade”.Segundo Bolieiro, com o
acordo estabelecido com a ADFMA e com a ajuda da Escola do Mar, a
“Espalamaca” passa a ser “não só um elemento de formação” profissional
como também “uma oportunidade turística”, porque vai navegar e fará
parte de um roteiro turístico.“Navegando e
dando formação, igualmente pode ser, num roteiro turístico, a afirmação
desta identidade como museu vivo. Isto é, permitir uma narrativa aos
visitantes e aos turistas que, a passear, (…) não só conhecem a
história, a identidade do canal, como igualmente têm uma experiência de
fruição marítima à moda de gerações mais antigas”, disse o responsável
no discurso proferido na cerimónia.A
embarcação foi hoje transportada para os estaleiros da empresa
NavalCanal, na vila da Madalena, na ilha do Pico, para que seja
submetida ao processo de reabilitação.Os
encargos com o projeto andam “à volta das duas centenas de milhares de
euros” e o investimento “vale a pena”, admitiu o presidente do Governo
Regional dos Açores.A "Espalamaca" foi
construída nos estaleiros navais de Santo Amaro, no Pico, e começou a
operar a partir da década de 50 do século passado, tendo sido retirada
do serviço na década de 90, numa altura em que se encontrava já em
avançado estado de degradação.A 13 de
junho, no parlamento açoriano, o deputado único da Iniciativa Liberal,
Nuno Barata, criticou o “escandaloso” atraso que se tem verificado na
recuperação da lancha “Espalamaca” (antiga embarcação construída em
madeira, destinada ao transporte de passageiros entre as ilhas do Faial,
Pico e São Jorge), que está a “apodrecer” no porto de Santo Amaro do
Pico.Na ocasião, o secretário regional do
Mar e das Pescas, Manuel Humberto São João, explicou que a estimativa
dos custos de recuperação da lancha apontava para um investimento total
de 200 mil euros, parte dos quais financiados por donativos recolhidos
pela Associação de Amigos do Canal.