Lajes do Pico prevê candidatar bote baleeiro a património da UNESCO em fevereiro de 2027
Hoje 11:54
— LUSA/AO Online
O Património Cultural deu início ao processo
de consulta pública para a inscrição da manifestação "Bote Baleeiro
Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico" no
Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e a autarquia
contratou uma empresa que está já a trabalhar para, após a inscrição no
património imaterial português, entregar a candidatura ao património
mundial da UNESCO em fevereiro de 2027, disse hoje à agência Lusa a
presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum (PS).“Foi
este todo o trajeto que percorremos e estamos a percorrer até
conseguirmos chegar àquilo que tem sido muito falado ao longo dos anos,
de se poder classificar o bote açoriano, com a importância que tem para a
UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura]”, disse.Segundo a autarca, esta
importância é vital porque na ilha do Pico “apenas existem dois
construtores navais, sendo que um deles, o senhor João Tavares, já é um
octogenário, ou está lá perto” e resta apenas um construtor naval no
concelho das Lajes e na ilha, “que é o senhor Monteiro”.“Portanto,
há aqui um plano de salvaguarda que tem de ser feito para que estes
conhecimentos não sejam perdidos e, por isso, há toda esta importância
de ele [o bote baleeiro] estar devidamente classificado”, disse.Na
opinião de Ana Brum, pelo trabalho que tem sido desenvolvido “há várias
décadas” na região, a aprovação das duas candidaturas - Património
Imaterial Português e UNESCO - seria a “cereja no topo do bolo”.Nas
declarações à Lusa reconheceu ainda que o processo está no bom caminho:
“Sim, essa é a sensação que temos. Que estamos no bom caminho, que
sabemos para onde vamos, por onde queremos ir e que o processo está
devidamente fundamentado para que possamos chegar àquilo que tem sido o
desejo da população em geral”.A autarca
recordou que o município das Lajes do Pico começou há três anos com o
“grande projeto” para, um dia, fazer uma candidatura à Lista
Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO,
“que há muito [é] também desejada pela população” do concelho.“Esse
trajeto é um trajeto longo, mas que deve ser feito de forma sólida.
Começámos, então, a preparar a candidatura ao património imaterial
português” e, no âmbito da candidatura foi recolhida informação desde a
construção naval às regatas, aos saberes associados às regatas e ao
manuseamento do bote baleeiro.Essa informação foi compilada e a autarquia entregou a candidatura ao património imaterial português no dia 21 de junho de 2025.“É
uma candidatura, [que] não é das Lajes [do Pico], não é da Câmara, é
sim dos picarotos, é dos açorianos, para que o património e o nosso bote
baleeiro seja reconhecido e os saberes associados sejam reconhecidos no
património imaterial português”, justificou.Depois
de passar todas as fases da avaliação do património imaterial
português, o processo chegou agora à fase de consulta pública, para o
Património Português “saber se há mais alguma informação que possa fazer
parte da candidatura para que ela [a atividade baleeira], então, seja
classificada como património imaterial português”.Após
essa candidatura ser aprovada, segue-se o envio do processo para a
UNESCO, tendo o município contratado a mesma empresa que entregou a
candidatura do barco moliceiro, que foi reconhecido em dezembro de 2025
como Património Mundial.O Património
Cultural deu início este mês ao processo de consulta pública para a
inscrição da manifestação "Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e
construção nas Lajes do Pico" no Inventário Nacional do Património
Cultural Imaterial.De acordo com o anúncio
publicado no dia 06 de julho em Diário da República, a consulta pública
decorre durante 30 dias, permitindo que cidadãos e entidades apresentem
observações sobre o processo.Após a
consulta pública, o Património Cultural dispõe de um prazo de 120 dias
para decidir sobre a inscrição da manifestação no Inventário Nacional do
Património Cultural Imaterial.A
candidatura visa reconhecer e salvaguardar os conhecimentos e técnicas
associadas ao manuseamento e à construção do bote baleeiro açoriano nas
Lajes do Pico, uma marca cultural dos Açores.A caça da baleia no arquipélago dos Açores terminou em 1984.A
captura processava-se com base em barcos de boca aberta e em métodos
artesanais, com recurso a um arpão, sendo posteriormente os cetáceos
desmanchados nas unidades industriais que existiam nas várias ilhas do
arquipélago.