Lagoa lidera recolha seletiva de resíduos urbanos por habitante nos Açores

Hoje 09:27 — Filipe Torres

A Lagoa lidera, a nível regional, os resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante, com 371 quilogramas (kg) por residente.Segundo dados publicados no Instituto Nacional de Estatística (INE), a recolha seletiva por habitante da Lagoa em 2024 correspondia a cerca de 50,5% do total dos resíduos urbanos recolhidos por habitante (735 kg por residente), também o valor mais alto a nível regional.Em declarações ao Açoriano Oriental, o vice-presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Nelson Santos, realça que este resultado é fruto de uma aposta continuada na recolha seletiva e na proximidade do serviço aos munícipes, com a progressiva generalização da recolha porta a porta, a disponibilização de ecopontos domésticos e, desde 2023, a recolha seletiva de biorresíduos. A Câmara Municipal destaca, contudo, a adesão da população e dos agentes económicos.Entre as medidas com maior impacto, o município aponta a recolha porta a porta, por tornar a separação mais simples no quotidiano, complementada pela distribuição de ecopontos domésticos e pela redução das frequências de recolha de resíduos indiferenciados.A introdução da recolha seletiva de biorresíduos, em 2023, é também considerada um passo determinante, uma vez que esta fração representa uma parte significativa dos resíduos urbanos.A autarquia defende que os resultados resultam da continuidade do sistema, da proximidade do serviço e da sensibilização ambiental.Apesar da liderança na recolha seletiva, Lagoa foi também o município açoriano com maior quantidade de resíduos urbanos recolhidos por habitante, com 735 quilos em 2024. Para os próximos anos, o desafio passa, por isso, não só por aumentar a separação, mas também por reduzir a quantidade total de resíduos produzidos.A autarquia pretende reforçar a prevenção, a reutilização e a separação de biorresíduos, sobretudo junto dos grandes produtores, atuando cada vez mais na origem e garantindo que uma parcela crescente dos resíduos é encaminhada para valorização.Povoação com a menor percentagem de recolha seletiva por habitanteA Lagoa é o único município da Região em que a percentagem de recolha urbana seletiva ultrapassa os 50% em 2024.Segundo os dados do INE, os Açores recolheram, em média, 210 kg de resíduos seletivos por habitante em 2024, num total de 629 kg de resíduos urbanos, o que corresponde a 33,4% de recolha seletiva.Acima da média regional estão Lajes das Flores (48,1%), Vila Franca do Campo (44,2%), Nordeste (38,3%), Santa Cruz das Flores (38,1%), Vila do Porto (35,8%), Corvo (35%), Angra do Heroísmo (33,5%) e Ponta Delgada (33,4%).Abaixo da média regional ficam Calheta (32,3%), Ribeira Grande (32,2%), Velas (31,4%), Santa Cruz da Graciosa (30,3%), Horta (28,2%), Vila da Praia da Vitória (25,2%), Madalena (24,7%), Lajes do Pico (22,1%) e São Roque do Pico (20,1%). Lajes do Pico regista também o valor mais baixo de recolha seletiva, com 84 kg por habitante.Por sua vez, a Povoação apresenta a menor percentagem de resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante em 2024 na Região, com 97 kg por habitante, num total de 669 kg de resíduos urbanos recolhidos por habitante (14,5%).Em declarações ao Açoriano Oriental,  o técnico superior no ambiente da Câmara Municipal da Povoação, Sérgio Medeiros, salienta que os resíduos verdes são tratados localmente e não seguem para a MUSAMI. Ervas e outros resíduos provenientes da limpeza dos espaços verdes permanecem no concelho, um fator que contribui para os valores registados na recolha de resíduos e para a percentagem de recolha seletiva.Na recolha seletiva, o município dispõe de quatro ecopontos a todas as habitações e mantém o sistema porta a porta para determinados resíduos, mas ainda não existe recolha de papel porta a porta para os habitantes - apenas para os empresários. Esse serviço deverá avançar até ao final deste ano ou em 2027, abrangendo também o comércio e a pequena indústria, como papelarias e restaurantes. Segundo o município, é necessário reforçar a sensibilização da população.Sérgio Medeiros realça que a autarquia pretende, por isso, aumentar em 20% a recolha seletiva, através de um novo modelo de recolha.