Lagoa celebra património cultural com exposição “Fibras Vegetais” e documentário “Memórias da Água”

Hoje 11:55 — Ana Carvalho Melo

Em nota enviada à comunicação social, é referido que a exposição resulta da residência artística de Sofia de Medeiros, desenvolvida em colaboração com os artesãos Alcídio Andrade e Lurdes Couto, reunindo seis peças que evidenciam o diálogo entre arte contemporânea e saberes tradicionais. A mostra valoriza não apenas o resultado, mas também todo o processo criativo, assente em práticas que respeitam os ritmos da natureza e preservam técnicas ancestrais profundamente enraizadas na identidade local.No concelho de Lagoa são amplamente reconhecidas a arte cesteira - com especial expressão na vila de Água de Pau -, bem como o trabalho com folha de milho e espadana. Estas práticas seculares, nascidas da necessidade e do engenho das populações, sustentaram modos de vida, moldaram expressões culturais e afirmaram-se como símbolos identitários da comunidade.Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, destacou o significado cultural da iniciativa, afirmando que “é com enorme orgulho e sentido de missão cultural que apresentamos o resultado desta residência artística, que representa muito mais do que um encontro entre a arte contemporânea e os saberes tradicionais. Esta mostra valoriza um património que está vivo, que une gerações e que respeita os ritmos da natureza”.O autarca sublinhou ainda que a residência artística espelha a continuidade entre o passado e o presente, ao conjugar materiais distintos, saber técnico e experimentação artística, conferindo uma nova dimensão ao trabalho manual, sem perder de vista as suas raízes. “As peças expostas traduzem um verdadeiro diálogo entre artista e artesãos, entre tradição e inovação, dando novo significado a técnicas que persistem no tempo e que marcam a nossa cultura. Quero agradecer e enaltecer o trabalho de Sofia de Medeiros, bem como o contributo de Alcídio Andrade e Lurdes Couto, guardiões de alguns dos saberes tradicionais da nossa terra. Que esta iniciativa seja semente para novas colaborações, onde a arte e a tradição se encontrem”, referiu Frederico Sousa.Relativamente ao documentário “Memórias da Água”, apresentado no mesmo dia e baseado no espólio fotográfico de Roberto Medeiros, o autarca enalteceu a importância de preservar e dar voz às vivências da comunidade. “Trata-se de um testemunho essencial da nossa identidade coletiva. A água moldou o território, o trabalho e a vida das nossas gentes. Ao registarmos estas histórias, estamos a garantir que a memória não se perde e que as novas gerações compreendem a riqueza do seu passado”, salientou.