Lagarde diz que sai do BCE para ter voz em matérias além da política monetária

Hoje 15:20 — Lusa/AO Online

“A razão por que antecipo o fim do meu mandato ao sair em fevereiro de 2027 em vez de outubro é, como disse a colegas e membros do ‘staff’ e a governadores, porque quero ter a liberdade de expressão e a liberdade de me pronunciar sobre assuntos além da política monetária”, disse Lagarde após a reunião do Conselho do BCE.A presidente cessante deste organismo, cuja saída em fevereiro foi hoje anunciada, apontou que o cargo que desempenha, tal como todos os membros do Conselho do BCE, obriga à neutralidade.“Comentamos as situações com foco na política monetária. Somos guiados por um mandato e não saímos desse mandato porque é o preço que pagamos por sermos independentes”, acrescentou.A responsável francesa acredita que a sua voz “pode ajudar” não apenas na Europa, mas “por todos os cantos do mundo”.“Acho que a minha voz pode ajudar, que as minhas ações podem ajudar, nos princípios que me são queridos”, vincou, dizendo que não consegue estar confortável com a neutralidade no presente.“Interessa-me a verdade, e vejo a verdade a ser deturpada e contrariada por informações falsas”, registou, apontando que há coisas que pretende dizer, mas que não pode pela posição atual.Christine Lagarde apontou que com a sua saída será substituída e que o BCE não vai acabar.“Há muitos excelentes candidatos, muito melhores que eu, na verdade, por isso não se preocupem com a continuidade”, atirou, garantindo que o BCE “continuará sólido, forte, como uma rocha”.Lagarde pediu hoje para cessar funções em 07 de fevereiro, anunciou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que indicou que vai iniciar o processo de sucessão imediatamente. Christine Lagarde é presidente do Banco Central Europeu desde novembro de 2019. O seu atual mandato terminava em outubro de 2027.Durante a reunião o Conselho do BCE decidiu, de forma unânime, manter as taxas de juro diretoras, depois da subida de setembro.