Lagarde alerta para “risco de liquidez” de fundos ligados a criptomoedas estáveis
3 de set. de 2025, 15:18
— Lusa/AO Online
Na
abertura da conferência anual do Comité Europeu do Risco Sistémico
(CERS), em Frankfurt, Lagarde lembrou que as entidades que investem
neste tipo de ativos, conhecidos por ‘stablecoins’, devem mitigar o
risco de haver uma retirada massiva de fundos dos depositantes,
garantindo que têm liquidez suficiente para cumprir rapidamente o
reembolso das quantias.“À primeira vista,
estas entidades e atividades podem parecer inovadoras. Mas não
precisamos de esperar que amadureçam para perceber que estão a
reintroduzir riscos antigos”, apontou, especificando que “o mais
evidente é o risco de liquidez”.As
criptomoedas estáveis são ativos digitais, como a Tether e a Circle, que
procuram manter um valor estável em relação a uma moeda fiducidária,
como o dólar ou o euro, ou em relação a um ou vários ativos. Como
se refere no regulamento europeu relativo aos mercados de criptoativos
‘MiCA’, de 31 de maio de 2023, isso acontece através de “protocolos que
preveem o aumento ou a diminuição da oferta de tais criptoativos em
função das alterações na procura”.Lagarde
afirmou que “os desafios colocados pelas instituições que investem em
ativos de risco, prometendo aos investidores o resgate a curto prazo e
pelo valor nominal”, são conhecidos, devendo essas entidades “mitigar o
risco de uma corrida” aos investimentos, para garantirem “que dispõem de
liquidez suficiente para satisfazer rapidamente os resgates”.A
presidente do BCE vincou que é neste contexto que o Comité Europeu do
Risco Sistémico “tem vindo a alertar para certos tipos de fundos do
mercado monetário”.O regulamento europeu,
lembrou Lagarde, procura abordar este risco de duas formas. “Em primeiro
lugar, os emitentes de stablecoins devem permitir que os investidores
da UE resgatem sempre as suas participações pelo valor nominal. Em
segundo lugar, os emitentes de stablecoins devem deter uma parte
substancial das reservas em depósitos bancários”, disse.No
entanto, “ainda existem lacunas”, de que são exemplo “os chamados
esquemas de emissão múltipla, em que uma entidade da UE e uma entidade
não pertencente à UE emitem conjuntamente stablecoins fungíveis”,
afirmou.Neste caso, a regulamentação europeia não abrange o emissor que não é da UE.Segundo
Christine Lagarde, a legislação europeia deveria garantir que essas
emissões múltiplas não podem operar na UE, a menos que estejam
protegidas por legislações igualmente robustas noutras jurisdições e por
garantias relativas à transferência de ativos entre entidades da UE e
de fora do espaço comunitário.De acordo
com o último relatório sobre o risco de intermediação financeira não
bancária, publicado em 01 de setembro, a Administração norte-americana
“pode acelerar uma maior interligação” do mercado das criptomoedas aos
mercados tradicionais nos Estados Unidos “e, por sua vez, globalmente”,
criando riscos para a estabilidade financeira.Desde
que assumiu a presidência dos Estados unidos, Donald Trump assinou
ordens executivas com o objetivo de incentivar a utilização de
criptoativos como forma de impulsionar o crescimento económico.