Lacão quer todos os subsídios atribuídos a deputados inscritos no Estatuto
29 de mar. de 2019, 11:23
— Lusa/AO Online
Em declarações aos jornalistas no final de uma
conferência de líderes extraordinária para fazer o ponto de situação do
grupo de trabalho constituído para rever o regime de abonos e
deslocações, Jorge Lacão esclareceu que os trabalhos “ainda não estão
concluídos”, tendo ficado marcada nova reunião dos líderes parlamentares
para a próxima quarta-feira.“Há um
conjunto de pontos consensualizados, que passam por uma maior precisão
em matérias que são relativas a remunerações sujeitas a tributação
fiscal e matérias que são contrapartida da atividade política e,
portanto, têm outra natureza”, afirmou.O
deputado socialista salientou que, apesar de a Constituição da República
dizer que os subsídios atribuídos aos deputados são os definidos na
lei, atualmente alguns estão apenas num regulamento interno.“Devem
estar explicitados na lei e o sítio adequado é o Estatuto dos
Deputados, onde deve ser clarificado quais sejam os abonos atribuídos
aos deputados”, defendeu.A Comissão da
Transparência tinha previsto finalizar hoje à noite as votações dos
vários diplomas em análise há cerca de três anos, incluindo o Estatuto
dos Deputados.“Resolveremos [essa questão]
de forma adequada e processual, é natural que haja uma prorrogação”,
afirmou, quando questionado sobre como poderá ser feita essa alteração.Sobre
os pontos já consensualizados, o coordenador do grupo de trabalho
confirmou, tal como a Lusa noticiou na quarta-feira, que as moradas
efetivas dos deputados passam a ser as que constam do Cartão de Cidadão e
que só serão pagas deslocações efetivamente realizadas e declaradas.“Há
consenso quanto a isso: que os deputados assegurem por via da sua
confirmação declaratória a efetividade da deslocação que se fez, o que
significa que um abono relativamente a deslocações não será atribuído em
abstrato”, salientou Jorge Lacão. Quanto
aos deputados das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, Lacão
confirmou igualmente que “há consenso suficiente” para avançar com uma
espécie de solução tripla, em que os parlamentares escolherão a que
preferem no início de cada sessão legislativa.Na
primeira, a compra das viagens aéreas é feita pelos serviços da
Assembleia da República, enquanto na segunda os deputados recebem um
abono “de acordo com o estabelecimento de um preço médio trimestralmente
avaliado”, podendo comprar livremente as passagens, mas não podendo
usufruir do subsídio atribuído aos residentes das ilhas.Na
terceira hipótese, cabe também ao deputado adquirir os bilhetes e o
parlamento atribui-lhe “um abono direto em relação ao custo efetivo da
viagem processada”, ou seja, contra fatura. Neste caso, os deputados
podem recorrer ao subsídio de mobilidade regional e a Assembleia da
República desconta esse valor ao que tenham recebido.“Em nenhuma das soluções haverá duplo pagamento por parte da Assembleia da República”, frisou.Segundo
Jorge Lacão, estão ainda em cima da mesa, mas sem decisão, propostas do
PS para que esta solução tripla possa ser aplicada não só a deputados
regionais, mas também do continente nas suas deslocações.O
coordenador do grupo de trabalho não quis especificar quais os outros
pontos ainda em cima da mesa, mas a generalidade prende-se com a junção
ou simplificação dos subsídios que atualmente os deputados recebem.Lacão
também não se comprometeu com uma data concreta para fechar os
trabalhos, escusando-se a dizer se será possível que tal aconteça na
próxima quarta-feira.“O senhor presidente
da Assembleia da República voltou a fazer um apelo nesse sentido.
Enquanto coordenador esforço-me para que assim seja, mas não me cabe
dizê-lo por antecipação”, afirmou.Este
grupo de trabalho foi criado em dezembro por proposta do Conselho de
Administração do parlamento, na sequência de polémicas com falsas
moradas de deputados e de duplicação de apoios ao transporte entre o
continente e as ilhas, além de outras práticas no reembolso de despesas
por viagens e deslocações.Recentemente, o
presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, apelou na
conferência de líderes para que eventuais alterações legislativas
estejam fechadas até ao 25 de abril.