Laboratório da PJ na Madeira detetou sete novas drogas nunca antes detetadas em Portugal
12 de nov. de 2024, 09:53
— Lusa/AO Online
“Este
ano e meio de funcionamento da extensão do laboratório na Madeira
detetamos o aparecimento de sete novas substâncias apenas na Região
Autónoma da Madeira, a maior parte delas foram detetadas nas apreensões
da Polícia Judiciária”, disse Maria João Caldeira, perita da Polícia
Cientifica do Laboratório da Polícia Judiciária.Maria
João Caldeira falava por videoconferência numa audição parlamentar
requerida pelo PSD intitulada "Esclarecimentos sobre programas de
combate e dissuasão do consumo de drogas e substâncias psicoativas na
Região Autónoma da Madeira”.A perita garantiu que essas “substâncias nunca antes foram detetadas em mais lado nenhum em Portugal”.Numa
nota divulgada pela Assembleia Legislativa da Madeira sobre a audição é
referido que a especialista considerou que a recente alteração da Lei
das Drogas ainda “está um pouco perdida na matéria, limitando-se a
identificar as drogas que vão sendo sinalizadas, além da casuística”.“Vamos
fazendo estudos e quando verificamos algo fora de comum, comunicamos à
Europa e ao nosso representante nacional, sem o prejuízo de
estabelecermos outros mecanismos de comunicação”, adiantou Maria João
Caldeira, citada na nota.A perita referiu
ainda que “a PJ está pronta para avançar num projeto de estudo das águas
residuais da Madeira, para pesquisa e posteriormente para deteção e
avaliação das mesmas”.Em matéria de
identificação das drogas sinalizadas na Madeira, a especialista da
Polícia Científica do Laboratório da PJ informou que o tempo era de
“dois anos para os novos fenómenos, que já não eram novos, no entanto
neste momento o tempo de resposta passou para poucos meses, no máximo
três”.“Em termos de substâncias
apreendidas, verificou-se ainda que a droga mais comercializada seria o
‘bloom’”, acrescentou, explicando tratar-se da “droga sintética que só
no ano passado levou mais pessoas ao internamento no arquipélago”, a
maioria jovens.Na audição, a perita da PJ
sugeriu a implementação de "uma legislação mais generalista, como "uma
das hipóteses para melhorar o problema do consumo de drogas na Madeira”,
alertando que os baixos valores comerciais destas drogas são os
principais incentivadores ao seu consumo.De
acordo com os dados divulgados, a Madeira é a segunda região do país
onde o consumo de novas substâncias psicoativas é mais elevado, depois
dos Açores, realçou.