Kremlin está disponível para analisar "plano de vitória" de Zelensky
Ucrânia
23 de set. de 2024, 14:47
— Lusa/AO Online
"Quando houver
qualquer informação através de meios oficiais, nós, naturalmente, iremos
estudá-la cuidadosamente", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri
Peskov, na sua conferência de imprensa telefónica diária.Peskov
sublinhou que, por enquanto, os meios de comunicação social têm
divulgado informações contraditórias sobre o conteúdo do plano de Kiev.Zelensky
está esta semana nos Estados Unidos, tendo no domingo visitado uma
fábrica de munições na Pensilvânia, que está a produzir uma das munições
classificadas como fulcrais para a luta contra a invasão russa.A
par de participar e de discursar na reunião anual da Assembleia-Geral
da ONU, em Nova Iorque, Zelensky irá apresentar o referido “plano de
vitória” ao Presidente norte-americano, Joe Biden, bem como aos dois
candidatos à Casa Branca nas eleições presidenciais norte-americanas de
novembro, Kamala Harris e Donald Trump.Segundo
a imprensa internacional, o plano inclui garantias de segurança; um
programa de assistência económica; o compromisso de futuros
fornecimentos de armas, incluindo mísseis de longo alcance; e a pressão
diplomática para que a Rússia aceite sentar-se e negociar uma solução
pacífica para o conflito.A porta-voz do
Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, garantiu no
passado sábado que a Rússia não participará em nenhuma cimeira de paz
para a Ucrânia que se baseie na fórmula proposta pelo Presidente
ucraniano."Os representantes russos não
participaram e não participarão em nenhuma reunião do processo de
Burgenstock [cidade suíça onde foi realizada a primeira cimeira de paz
na Ucrânia sem a participação russa]. Este processo nada tem em comum
com a procura de soluções", disse a porta-voz da diplomacia russa.No
entanto, Zakharova esclareceu que a Rússia não rejeita “uma solução
político-diplomática para a crise” que se baseie nas condições propostas
em meados de junho pelo Presidente russo, Vladimir Putin.O
líder russo propôs que Kiev retirasse as suas tropas das quatro regiões
anexadas por Moscovo (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia) e
renunciasse aos seus planos de adesão à NATO, em troca de um cessar-fogo
imediato e do início de negociações de paz.Segundo
os analistas internacionais, a Rússia não avançará para possíveis
negociações de paz com a Ucrânia até expulsar definitivamente as tropas
ucranianas da região fronteiriça russa de Kursk, onde entraram em 06 de
agosto e assumiram o controlo de cerca de uma centena de localidades. A
Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados
ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de
2022.A ofensiva militar russa no
território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a
crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).