Kiev retira civis de zonas reconquistadas por causa dos danos em infraestruturas
Ucrânia
21 de nov. de 2022, 17:30
— Lusa/AO Online
Os moradores das duas
regiões do sul da Ucrânia, bombardeadas regularmente nos últimos meses
pelas forças russas, foram aconselhados a mudarem-se para áreas mais
seguras, nas zonas central e oeste do país, afirmou a
vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, acrescentando que o
Governo fornecerá “transporte, alojamento e assistência médica”.A
retirada de civis começou pouco mais de uma semana depois da
reconquista pela Ucrânia da cidade de Kherson e áreas ao redor, a 11 de
novembro.A libertação da região da
ocupação russa foi vista como uma grande vitória no campo de batalha,
mas a necessidade de retirar os habitantes mostra que o país ainda vai
enfrentar muitas dificuldades devido as bombardeamentos e aos danos
provocados por estes em infraestruturas energéticas, sobretudo durante
os meses mais frios do inverno.As
autoridades instaladas pela Rússia na região de Kherson também pediram
hoje à população para abandonar uma área da margem leste do rio Dnieper,
que Moscovo ainda controla, alegando existir um “alto nível de manobras
militares” no distrito.Desde que a
Ucrânia recuperou a cidade de Kherson, a Rússia intensificou os ataques
aéreos à rede elétrica e a outras infraestruturas, causando apagões
generalizados e deixando milhões de ucranianos sem aquecimento, energia
ou água, numa altura que o país começa a registar temperaturas mais
baixas e neve.De acordo com a operadora da
rede estatal de energia, a Ukrenergo, são esperados hoje apagões
durante quatro ou mais horas em 15 regiões ucranianas.Mais de 40% das instalações de energia do país foram danificadas por mísseis russos nas últimas semanas.No
domingo, vários bombardeamentos abalaram a região de Zaporijia, local
onde se situa a maior central nuclear da Europa, pelo que a Agência
Internacional de Energia Atómica (AIEA) pediu, de imediato, “medidas
urgentes para ajudar a prevenir um acidente nuclear” na instalação
ocupada pela Rússia.Kiev e Moscovo culpam-se mutuamente pelos bombardeamentos na região, depois de semanas de relativa calma.A
área tem sido palco de combates desde que as forças russas ocuparam a
central, logo após a invasão da Ucrânia, provocando receio de um
acidente nuclear.A operadora russa
da central nuclear, a Rosatom, admitiu que existe o risco de um acidente
nuclear na central de Zaporijia, tendo o diretor daquela
infraestrutura, Alexei Likhachyov, adiantado que conversou com a AIEA
durante a noite para reiterar a culpa de Kiev pela situação.“Aparentemente,
Kiev considera aceitável um pequeno incidente nuclear”, disse
Likhachyov, defendendo que “deve ser feito tudo para que ninguém pense
em invadir a segurança da central nuclear”.
O conflito em curso na Ucrânia, desencadeado por uma ofensiva militar
russa iniciada em 24 de fevereiro, mergulhou a Europa naquela que é
considerada como a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra
Mundial (1939-1945).